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terça-feira, setembro 20, 2011

Aquela garota de 17 anos


“Cause everybody knows
She's a femme fatale
The things she does to please
She's a femme fatale”
(The Velvet Underground)




Vejam, lá vem ela...
... É melhor olharmos ao redor
Antes de escolhermos por onde iremos pisar
E assim, poderemos nos preparar para o pior
Ela irá partir nosso coração
Sem comiseração e muito menos dar-nos-á o seu perdão
Para um jovem de 17 anos é tão difícil entender
O que se passa naquele falso brilho dos seus olhos pintados


Tornamo-nos presas fáceis seduzidas pelos seus lábios perfeitos
Ela nos levanta e deixa-nos cair em frangalhos
Aqui no colégio todos sabemos que ela é uma femme fatale
Tudo o que ela faz só agrada a ela mesma, enquanto nós, otários



Ela é, na minha cabeça, a peça de uma grande intriga
Observo o modo como ela anda e ela me vê
Ouço o modo como ela fala e ela me lê
No bimestre passado tive meu nome escrito naquele livro que ela carrega



Entre seus braços, sou o número 57, ela mesma me confirmou
Em minha posição de palhaço-objeto, ainda faltam pouco mais de duas horas para o momento do desprezo máximo
Ela veio da rua 13, bem próxima aonde moro desde o ano passado
Antes de começar a falar ela já sabia tudo sobre mim, gesticulava contente envolvendo-me em sedução



Abatido pelas suas afirmações banquei o bobo tentando lhe dizer novidades
Isso é verdade, todos sabem que...
... Ela é uma femme fatale de 17 anos de idade
E ela me fez sentir coisas que eu nunca havia sentido antes, desde que cheguei aqui nessa cidade.


*Baseado em Femme Fatale, canção do Velvet Underground interpretada por Nico.

quarta-feira, junho 30, 2010

A garota do Chelsea Hotel




Perco-me nos corredores daquele hotel
Nele, passo as noites flutuando sobre seus empoeirados carpetes
Isso é o suficiente para me deixar doente
Johnny traz-me o que preciso enrolado em plásticos transparentes




Ele vem agora... Estaciona perfeitamente
Vejo-o chegando, da janela fico à sua espera
Deve ter acabado de tomar o elevador
E se dirige ao quarto 115, ou seria o 506?


Talvez ele me encontre
E me trate mal outra vez
Ele pensa que é alguém, porque seu pai é alguém
Somos humanos de espírito ausente


Confundo o passado com o presente
Não estou para suas brincadeiras
Mas, mesmo o amor perfeito não é duradouro
Dê-me o que preciso, sei que está em seu bolso


Do negro blusão de couro, o mesmo de sempre
Desde a primeira vez, usava-o
Agora, usa-me em brincadeiras inconsequentes
Hoje, está diferente... O que se passa?


À minha frente, percebo uma jovem indolente
Apática, carrega sedas e papéis, chama-se Ingrid
Venham todos agora, entrem, vão se acomodando
Em breve a festa acaba, fico eu no Chelsea Hotel...
Onde meu mundo está sempre desmoronando.




*A Nico (16/10/1938 - 18/07/1988)
e seu álbum: 
“Chelsea Girl” de 1967.