sexta-feira, setembro 25, 2009

Entre amigos (demasiado humano)







Pareces ingênuo, recusas o absurdo

O que buscas, ansioso, encontraste num livro?

A razão evolui em si.








17 palavras.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Demasiado humano (entre amigos)





Calemo-nos juntos, bem ou mal

Mas, se for para rir com desgosto

Faremos dispostos, desceremos ao fosso.







17 palavras.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Para ler um livro louco (que perturba)







Discorda-me, sem desculpas, inflexível recusa

Livro-te pelo coração, livra-me do absurdo, alusão

Lê-lo-ei maldito livro, acrescenta-me razão.







17 palavras.

sábado, setembro 19, 2009

Os punks herdarão a terra? (suplícios juvenis)






“Engines stop running but I have no fear
London is drowning and I live by the river.”
(London Calling)






Prima Albertine tinha 18, quando...
... Trouxe-me o spray de pimenta
No beco ganhou habilidade
"Desde os 13", acrescenta
Sem domicilio, vaga
De repente, sagaz persona criara
Mas isso nunca me foi empecilho
Vivo de criatividade, desopilo
Para minhas faltas, meus embates
Estou dependente, oscilo
Ela sabe e lamenta, confiro
Entregue-me suas notas, seus acordes
Pára-raio no momento preciso
Como pode?
Comento arisco, indeciso
O testamento definitivo
Foi escrito na noite passada
Disse-me e
Acrescentou um sorriso
Cifras incertas, travadas
As tento e não consigo
Deixo-as para ti
Minha jovem senhora
A combinação de ritmos
Que só com o tempo se aflora
Harmonias discordantes
Mas, as letras, domino
As crio em instantes
E isso... é deveras relevante?
Por um instante, me és familiar
Fostes irmã de Johnny Rotten?
Vaga sozinha
Jeans gasto e sem lar
Espírito ancestral, como um totem
Literalmente, absorveste uma fúria febril
Tenho muita sede
Secastes o meu cantil
London Calling, sua favorita
Ouvimos The Clash em vinil
Não desvie os golpes, pois não
Daquela capa influente, marco de geração:



"Capturaste o movimento, Miss Smith
Num clic, numa fração
Persistiu o gesto, louro da ação
Paul Simonon e seu baixo ao chão"



As máquinas já não funcionam mais
Mas eu não tenho medo, vou atrás
No Tâmisa vejo o reflexo da cidade
Londres está sufocada em tenacidade
Nessas ruas úmidas, ninguém é gentil
Enquanto eu vou
À margem do rio
Densa e nebulosa
Paisagem desvairada
Perambulo pela calçada
Percebendo o ensejo juvenil
Sinto o corte sangrando
Encontro de gangues, um canivete...
Aquele pivete, com a cara do Vicious
Num avanço rápido me feriu


... Suplícios




Minha homenagem a:
*Johnny Rotten: foi vocalista dos Sex Pistols e do P.I.L.
*Ao album: “London Calling” (1979): The Clash.
*“London Calling” também é o nome da canção de abertura do álbum.
*Paul Simonon foi baixista do The Clash e empresta sua imagem rebelde à capa do álbum.
*Pennie Smith, registrou a imagem de Simonon prestes a esmagar seu contra-baixo. Punk puro.
*Sid Vicious foi baixista dos Sex Pistols.
*O título do poema foi extraído do livro “O que é punk?, Antonio Bivar: ed. brasiliense

video
*Fonte do vídeo: Youtube.

sábado, setembro 12, 2009

O Gabinete do Dr. Caligari, clássico do expressionismo alemão






O Gabinete do Dr. Caligari, filme alemão lançado em 1919, é o retrato expressionista definitivo, descrito por um crítico como: “a visão de mundo de um louco”.


Seu roteiro surreal, conta a história de um sinistro hipnotizador chamado Caligari que exibe um sonâmbulo, Cesare, em uma feira interiorana, afirmando que, em seu transe semicomatoso, Cesare seu vassalo, pode prever o futuro.


O homem então, relata a morte de um dos consultantes presentes à apresentação, e o Dr. Caligari providencia para que o presságio seja cumprido depois do anoitecer, enviando o próprio sonâmbulo para assassinar aquele que ele advertiu.


Com seus temas de loucura e lavagem cerebral, O Gabinete do Dr. Caligari foi em parte inspirado nas experiências de seu co-autor, o poeta austríaco Carl Mayer, que foi ferido quando servia na Primeira guerra mundial e enviado para uma avaliação psicológica após desafiar seus superiores.


Para Mayer, Caligari representa os líderes insanos que enviam as massas submissas, retratadas por Cesare, para matar e morrer em suas guerras.

Na Inglaterra chegou com a alcunha de “o mais estranho filme já produzido”, que poderia ser lido como um manifesto do cinema expressionista.


Em todas as cenas, cenários pintados especialmente retratam e captam toda a essência da loucura humana, combinam com o clima da ação que está acontecendo.


Percebe-se o sonâmbulo flutuando por ruas que parecem ter saído de seus piores pesadelos, com casas disformes, janelas taciturnas, tracejadas por punhaladas de luz e escurecida por borrões de sombras (...).

*Direção: Robert Wiene, com Werner Krauss, Conrad Veidt e Friedrich Feher.
*Fonte: Baddeley, GavinGothchic’, pág:44 – ed. Rocco (2002).



video
*Trailer: Created with Avid Media Composer May 2009, Hanover (Germany).

No ocaso, a casa se despedaça e o velho Usher com ela tomba




I

Usher, o velho, enfermo esvaiu-se
Tinha mente algoz, instrumentos de cordas lenitivos
Observava quadros, causava pensamentos aflitivos




II

Tudo ruiu, Madeleine tristemente sucumbiu
O vento feroz nas fendas construiu alargamentos
Parceira definitiva, sob destroços, ferimentos




III

A profunda e sombria casa
Despedaça-se sob um coro de mil vozes
Sentimos arrepios, dali, fugimos velozes











*Baseado no conto: 
”A queda da casa de Usher” 
de Edgar Allan Poe.



quinta-feira, setembro 10, 2009

Enfrente o tirano e construa a tragédia



I


Antígona deseja enterrar seu irmão
Mas, Creonte, promulgou lei soberba que impede
Quem atenta contra o soberano.




II


Transição humilhante, corpo em deterioração
Pela honra familiar, Antígona, enterra-o em provocação
Capturada sucumbirá à tumba, condenação.




III


Hemon, logo, ao pai clamará
Para seu desespero, a sentença é confirmada
Sucedeu-se, então, uma tragédia anunciada.






*Antígona é uma tragédia grega de Sófocles, representada pela primeira vez em 422 ou 421 a.C.
Ela retrata a disputa entre o Direito Natural e o Direito Positivo, Antígona torna-se, pelo seu ato antagônico às ordens impostas pelo tirano, individualizadora do Direito.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Hepitáfio, o barqueiro



I

Para se sentir grande exagerava como o rio
Moroso, em direção ao mar...
Lembra-te quando ao meu lado se sentavas?
Soltavas minha mão nua e descansava sob a lua
Tocávamos o chão e víamos o rio...
Passar lentamente, silencioso e profundo
Para cada lua um lago a refleti-la
Uma praça colorida, outra rua...
Aonde íamos? 
Vagamente, me recordo
Quando gozávamos em alarido
Cobríamos-nos de folhas, coroava-te com rosas
Achavas-me destemido!


II
Naquela travessia tênue, Hepitáfio era o condutor
Silencioso como o grande rio, só contemplava o nosso amor
Pela razão nos servia, cedia-nos sua embarcação
Desvie-nos dos pântanos, conduza-nos às vinícolas
Acalente nossos prantos, faça-nos esquecer da vida!
Beber várias taças de nosso vinho preferido
Na batalha final derradeira e mortal
Fostes heroína!
Adeus querida Matilde sucumbiste sem fraquejar!
Sempre serás minha, minha intrépida menina 
Denodada a ousar, quantos anjos ainda irá fascinar?

III

Nas brumas celestes encontraste conforto?
Onde dormes? Estás à beira da piscina?
Agasalhaste seu espírito sob o linho nobre?
Ou retornaste a terra?
Nisso nunca acreditaste, nem eu pude acreditar
Nossa doutrina era falha!
Não te quero acima de Prometheu...
Nem abaixo, nem maior e nem menor do que eu
Do que outros novos deuses de cobre!
Fico com as melhores memórias...
De nossa vida incerta repleta de joios e glórias!


IV

Nutra a triste terra que espera a semente
Pacientemente, conheça o Olimpo novamente
Certamente, percebi um choro vaporoso
Ardente, temeroso, lágrima quente
Não toca o solo, Hepitáfio consolador dos descontentes
Outras plateias o verão no cadafalso, sorridentes
Subterfúgio, digressão; por opção vive na mais profunda solidão
Abro os olhos e deixo um recado aos que, em breve, partirão...
Vai-se a matéria... Ficam as idéias como forma de consolação!
Consolação d'alma, nossas almas, das almas que, para sempre às margens do rio, ficarão.






                                        

 *Baseado em textos de Fernando Pessoa. 
         R.I.P. Matilde "Mother" James.

domingo, setembro 06, 2009

Reflexões do poeta sobre: "O Sétimo Selo"



"O Sétimo selo", de 1956, é um filme do diretor sueco Ingmar Bergman.
Nele, o diretor expõe o perfil duma humanidade desesperada e moribunda, sob o agouro implacável da Morte, no século XII.
Mas, Bergman perspicaz, apresenta-nos um final onde é possível ter esperanças.
A família de artistas são os únicos personagens que sobrevivem à “caçada” da Morte.
A arte aqui exposta é aquela do mambembe puro; integrante da trupe e senhor digno, responsável pela família que vive da arte e trabalha para levá-la ao público.
Esses artistas, de algum modo, conseguem escapar da Morte deixando o rastro da sua arte.
Presume-se então, a perpetuação do homem e de sua alma somente por meio de expressões artísticas.
Produz-se algo efêmero, mas intenso e imortal diante da imensidão espaço/tempo: sua obra.
O sentido da continuidade dos homens e suas idéias, surge então, por intermédio da arte e suas inspirações.
No filme, todos os demais personagens que representam outras categorias sociais sucumbem ou estão a mercê da Morte.
O cavaleiro, tenta, por meio de um jogo de xadrez, vencê-la, mas a Morte nunca é vencida pelos humanos.
Ludibriosa, confunde-os.
Acuada e na iminência da derrota, disfarsa-se de pároco e ouve, pacientemente, a confissão do cavaleiro dizendo qual seria sua jogada fatal.
Com essa informação preciosa, a Morte muda sua estratégia e dá: Xeque mate!
O cavaleiro, derrotado, perde mais que uma partida, perde sua vida.
Venceu a peste, venceu batalhas, mas na volta para casa, moribumbo cai de joelhos, na busca do perdão, precipitado, errôneamente, numa confissão.
A Morte os acena impávida; ao cavaleiro medieval e seus pares.
Eles a vêem se aproximando.
Ocorre, então, poderosa tempestade e, no momento seguinte a lúgubre visita, o sol surge portentoso, insólito, trazendo esperança no caminho por onde a família de artistas toma seu rumo na busca de novas platéias.
video
Vídeo: Youtube.

Some commandments of God



Moisés ouviu e esculpiu:

"...Thou shalt not kill

Thou shalt not commit adultery

Thou shalt not bear false witness against thy neighbour

Thou shalt nor steal"


But…

Holly Terrace





Como fugir da morte, homens?
Formular remédios, curas, dominar patologias e crenças
Senhores das artes engenhosas, até que pereçam!

A história não permite paz
Viveremos à mercê de intempéries, sê forte
Por sorte, fé, esperança traz...

Quanto aos deuses, saberemos depois
Necessitamos, “deixar de existir”, para poder descobrir
Dogmas terrenos, mistérios do porvir.








*A Hipócrates 
(Cós, 460 – Tessália, 377 a.C.).

sábado, setembro 05, 2009

Eusébio de Queirós foi passear num navio negreiro




I


Imagine um navio negreiro,
Suas viagens na azul imensidão
Na embarcação, não trazia flores
Muito menos palavras sagradas
Entregava servidão, ratos e pulgas
Deplorável tristeza humana.



II


Vidas degradadas
Sentimento de culpa?
Adeus à tribo...saudade corrosiva
Cheiro da caça, lembra-se?
Agora, só ostente tua raça
Histórias de caçadas infalíveis
Com arcos e lanças
Arremessos indescritíveis.



III


Tragam o ritmo
A ginga, a manha
Ranjam os dentes
Há muito trabalho pela frente
Até sucumbir...
Ou ao senhor
Não mais servir
E lembre-se, nem tente fugir.



Baseado em: “O navio negreiro”, poema de Castro Alves.
A promulgação da “Lei Eusébio de Queirós”, proibiu o tráfico de escravos, em 4 de setembro de 1850
O então, ministro do Segundo Reinado: Eusébio de Queirós, antecipando-se a pressões vindas da Inglatera, insistiu na necessidade do país tomar por si só a decisão de colocar fim ao tráfico, preservando a imagem de nação soberana do Império Brasileiro.
A partir da promulgação da lei, inicia-se o tráfico ilegal que desenvolveu-se intensamente no período posterior à lei e, na verdade, houve um incremento nos índices de entrada de africanos no Brasil.
Pela iniciativa, do ministro, presto a ele, minha homenagem.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Em 1147 as noites não foram suaves e, no cerco, uma flor desabrochou

I

‘Lolita’, era esse ‘O nome da rosa’, begônia
Mas, ‘O perfume’ emanado, lhe trazia ‘Insônia’
Na ‘História do cerco de Lisboa’, empalideceu...


II

O ‘Grande Gatsby’ conheceu, próximo ao condado
Por olhares, combinaram um ‘Encontro marcado’
Efêmero, intenso, um ‘Breve romance de sonho’ concretizado.






*Com esses versos minimalistas presto minha homenagem as obras de:
Vladimir Nabokov, Umberto Eco, José Saramago, F. Scott Fitzgerald e Arthur Schnitzle, Fernando Sabino, Patrick Suskind e Graciliano Ramos.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Missiva de uma separação angustiante



...05 de janeiro de 2001





Olá, estimado amigo S.O.
Espero que, na busca incessante, tenha encontrado o equilíbrio cósmico que tanto almejas.
Em relação à sua missiva, não entendi quando afirmas:
"...Não deixe rancores tolos corroerem nossa amizade!"


O que significa isso?
Quais rancores tem a capacidade de deteriorar nossa amizade, estima e consideração recíproca?
Será que algum sentimento escapaste de minha gaiola e voaste até ti?
Não creio, ela está trancafiada com a senha da benevolência, da maturidade e da compreensão.
Nunca vou lhe pedir mais do possa ser capaz, isso eu tenho a certeza, pois essa afirmação vale para todos que me circundam.
Tu és amigo de grande valia, pessoa de apreço, conivências e convivências plenas.
Somos padrinhos mútuos das uniões nas quais nos propusemos a viver.
E isso para mim tem grande significado e importância.


Naquelas tardes, o que me afligia era familiar, já que nossa banda, os Retinas Queimadas, hoje se transformara em minha única família.
Era a questão do C.J., nosso brother e comparsa de todas ocasiões, na iminência da solidão, do abandono iminente.
O sal da separação a arder em seus lábios.
A dúvida da incerteza a corroer suas entranhas.
Aquela ausência incômoda da pessoa que incomodava, mas convivia; existia, fazia acontecer e às vezes não acontecia: a esposa companheira em seus últimos dias sob o mesmo teto.
A amada que recebia o sêmen do seu homem há tempos, hoje se perde no horizonte da incerteza no tempo futuro.
O que acontecerá a ambos?
Não sabemos, por enquanto...


Naqueles dias de bebedeira, boa conversa e rock ‘n roll intenso o que me afligia eram essas questões.
Sinto-me na necessidade compulsória de ajudar, formar uma opinião, traçar um norte, planejar as ações, tudo o que possa interferir diretamente na boa solução do impasse.
Será que estou correto?
Ou devo-me calar e furtar-lhe a ajuda amiga?
Você participou, vivenciou e presenciou todo o tema que narro e, de certa forma, opinou enfaticamente na tentativa de reconciliação e mudanças de paradigmas, assim como eu.
Mas não sabemos se isso realmente acontecerá.
Creio ser certa essa separação.


Será que temos a capacidade de mudar ou manter os rumos das vidas das pessoas que amamos e sentimo-nos no direito pleno de cuidar delas, de seus destinos.
Dar-lhes "conforto fraterno" no longo inverno da solidão?
Sei que tudo se regulará com a inexorabilidade do tempo.
Tempo presente.


Ou será que Mario Quintana tinha razão:


“É sem razão, e é sem merecimento,
Que a gente a sorte maldiz:
Quanto a mim, sempre odiei o sofrimento,
Mas nunca soube ser feliz”


Quero acreditar que sairá vencedor.
Nas intempéries surpreendentes dos mares, surgem os verdadeiros capitães.
Uma crise serve para separar imaturos aventureiros dos adultos com capacidade suficiente para discernir sob pressão.
Discernir e concluir, bem ou mal, bom ou ruim, é a vida dele que toma rumos diferentes a partir da decisão tomada.
E, numa fagulha de júbilo, se regozijar plenamente?


Sei que há muitas fãs e tietes, temos belas roadies ao nosso redor.
E elas, por sorte, tentarão preencher-lhe essa lacuna.
C.J. é sábio, apenas observaremos...
Creio ser o melhor a fazer agora.
Aposto que, enquanto todos calculam, ele obterá o resultado depois.
Que o tempo nos mostre então, qual o próximo capítulo das nossas vidas virtuais.


Abç.
Os dias são duros e amanhã temos ensaio.



“...Muito bem disse Cândido, mas é preciso continuar cultivando o nosso jardim”.
(Cândido ou 'O Otimismo': Voltaire).







L.J.Jr