domingo, novembro 29, 2009

The Sisters of Mercy: a última grande banda gótica






The Sisters of Mercy é uma banda britânica de rock gótico, formada em Leeds, em 1980 por Andrew Eldritch, que inicialmente tocava bateria e Gary Marx na guitarra. Esse nome peculiar, estranho e arcano tem sido ligado à literatura de terror de H.P. Lovecraft.

Na verdade, a origem do nome da banda é discutível, mas especula-se vir de uma música de Leonard Cohen ou de uma ordem religiosa de freiras católicas.

A Eldritch e Marx juntaram-se Ben Gunn, logo substituído por Wayne Hussey em 1983 e Craig Adams que assumiu o contrabaixo. The Sisters of Mercy inovou ao usar uma máquina para executar a percussão, batizada de Doktor Avalanche.

Essa bateria eletrônica ajudou a criar o som característico da banda: um rock de tempo bem marcado com um ritmo sintético afiado.
Diziam os críticos da época que Doktor Avalanche era o único membro da banda disposto a tolerar o “temperamento artístico e excêntrico de Eldritch", que se tornou o líder centralizador e vocalista do grupo.

Apesar de ter lançado apenas três LPs, The Sisters of Mercy tornou-se uma das mais influentes bandas da década de 80. A banda enfrentou todo tipo de instabilidade emocional e profissional entre seus integrantes: apenas o cantor e compositor Eldritch participou dos três LP.
A música do The Sisters of Mercy reunia elementos de psicodelia, dance e punk.

Logo após seu disco de estréia: “First and last and always”, em 1985 a primeira formação da banda foi desfeita.
Wayne Hussey e Craig Adams partiram e formaram o efêmero grupo Sisterhood para rivalizar com o Sisters.
Mas, num golpe de mestre, rapidamente, Eldritch gravou um single com o mesmo nome, forçando-os a abandonar o projeto inicial e, desta forma, surgia o impávido e bem sucedido: The Mission.

O cantor Eldritch tinha como estilo uma voz profunda e cavernosa e suas letras eram verdadeiras descargas elétricas, mas não tratavam de temas comuns ao rock gótico.
Aparecia sempre com um inseparável casaco negro roubado de Patrícia Morrison, integrante do grupo e parceira do vocalista, que certa vez afirmou: “preferia furar meus olhos com agulhas a ter que encontrá-lo novamente”.

A imprensa britânica começou a identificá-los como uma banda tipicamente ‘gótica’, o que em meados dos 80’s valia como um enorme insulto artístico.
Isso gerou, por parte de Eldritch um desprezo pela mídia inglesa e pelos fãs estranhos que o som da banda começava a atrair.

Em 1987, chegava as lojas o álbum: Floodland, um sucesso imediato.
As comparações com o extinto Joy Division eram cada vez mais frequentes, devido à atmosfera claustrofóbica que ambas faziam questão de ressaltar nos seus respectivos trabalhos.

Logo o The Sisters of Mercy desenvolveria um exotismo da decadência aos deuses do rock.
Influência notória do depressivo norte da Inglaterra e suas paisagens desoladoras e glaciais, aliada a ameaça de um mundo pós-industrial desmoronando gradativamente num romantismo perverso e sensual, eram retratados em faixas que atraiam um número cada vez maior de jovens pálidos frequentadores de cemitérios.

O vocalista, sempre autoconfiante, diferente da figura 'vulnerável' de Ian Curtis, mantinha-se distante e imune as canções e temas tóxicos que propagavam a autodestruição.
Apenas saboreava, ácida e sarcasticamente a degeneração humana sem mergulhar em suas profundezas como fez o suicida Curtis.

O som do The Sisters of Mercy foi se tornando cada vez mais sintético, urbano e hipnótico, realçados pela voz barítona de Eldritch, que mais parecia ter saído de uma cova, se é que uma entidade tão amorfa possa realmente existir e se comunicar como os vivos.

Apesar de rejeitar a classificação de gótica, The Sisters of Mercy foi uma liderança no gênero, tendo alcançado amplo sucesso na Inglaterra e nos EUA.

Dificuldades de relacionamento com Andrew Eldritch foram frequentemente citadas como a principal causa de rupturas por parte de membros do The Sisters of Mercy.

Em 1985, Gary Marx sai da banda e forma o Ghost Dance.

Hoje, além de Eldritch, apenas Chris May e Ben Christodoulou atuam na banda, além de Doktor Avalanche, é claro.
O ocultismo e o macabro não fazem parte das letras do compositor, não se
falam de aranhas que passeiam pelo corpo, nem fantasmas ou zumbis saindo de caixões, suas letras transitam entre temas políticos, psicológicos e cultura moderna, mas há clichês inegáveis que transformaram o The Sisters of Mercy no maior expoente gótico da história do rock, e ainda hoje carregam o rótulo de: “a última grande banda gótica”.

Álbuns de estúdio:

First and Last and Always, (1985)

Floodland, (1987)

Vision Thing, (1990)


*Fonte: Baddeley, Gavin Gothchic Editora Rocco: 2005.

Lucretia My Reflection  (By Andrew Eldritch)

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Hot metal and methedrine
I hear empire down
I hear empire down
I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Love lost, fire at will
Dum-dum bullets and shoot to kill, I hear
Dive, bombers, and

Empire down
Empire down
I hear the sons of the city and dispossessed
Get down, get undressed
Get pretty but you and me,
We got the kingdom, we got the key
We got the empire, now as then,
We don't doubt, we don't take direction,
Lucretia, my reflection, dance the ghost with me
We look hard
We look through
We look hard to see for real
Such things I hear, they don't make sense
I don't see much evidence
I don't feel
I don't feel
I don't Feel
A long train held up by page on page
A hard reign held up by rage
Once a railroad
Now it's done...

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Hot metal and methedrine
I hear empire down...
We got the empire, now as then,
We don't doubt, we don't take reflection,
Lucretia, my direction, dance the ghost with me...






video

Fonte: Youtube

quarta-feira, novembro 25, 2009

Bauhaus: O rock gótico numa breve biografia





Bauhaus foi um grupo musical inglês surgido em 1978.
Formado pelo baterista Kevin Haskins, o guitarrista Daniel Ash e o baixista David J., atuaram efemeramente como trio até a chegada do vocalista Peter Murphy, um jovem de criação católica profundamente: “consciente dos mistérios da vida, da mortalidade, do céu, do inferno, dos anjos, dos santos e do purgatório”, como gostava de ressaltar.
O nome da banda traz o conceito ligado a Escola de Arte e Design fundada por Walter Gropuis em 1919, o que de certa forma, também sugeria uma ligação com a Berlim decadente do início do século XX.

Tendo suas raízes calcadas pelo descontentamento social pós-punk, absorveram e incorporaram características deste movimento musical criando uma sonoridade atípica para os padrões musicais do final dos 70’s.
A idéia da banda, em princípio era ressaltar a corrente ‘Expressionista’ alemã e os filmes B e clássicos do terror cinematográfico da Universal e da Hammer.

“O Gabinete do Dr. Caligari” e “Nosferatu” são cenários perfeitos para a exemplificação do tema proposto por seus integrantes.
Nessa linha criativa surgiu a música Bela Lugosi's Dead’, sem dúvida o primeiro rock-gótico verdadeiro, lançado num vinil de 30cm em 1979, dentro de um estilo minimalista e experimental apoiado em guitarra econômica e acordes frios.
Os vocais fúnebres de Peter Murphy realçavam a proposta e em pouco tempo a banda se tornou admirada pelos críticos e pela juventude européia.
Suas blasfêmias melodramáticas encenadas no palco enfatizavam as estéticas góticas e, consequentemente, a angústia guiada pela culpa que sempre atormentava o jovem vocalista.

O mundo vivia a iminência da Guerra Fria, havia a corrida nuclear e uma crise econômica que dividia o planeta em duas ideologias políticas.
Todo esse cenário trazia enorme desconfiança no futuro.
As formas estéticas do punk deram lugar a uma nova valorização de estilos e conceitos neo-românticos, depressivos e uma ausência de cores como fuga conceitual da nova geração em relação às causas e as conquistas sociais.


Álbuns de estúdio:
  • In the Flat Field - 1980
  • Mask - 1981
  • The Sky's Gone Out - 1982
  • Burning from the Inside - 1983
  • Go Away White - 2008
Álbuns ao vivo:
  • Press the Eject and Give Me the Tape - 1982
  • Rest in Peace: The Final Concert - 1992
  • Gotham - 1999

*Fonte: Baddeley, Gavin Gothchic Editora Rocco: 2005.


Bela Lugosi's Dead 
(letra e vídeo)

The virginal brides file past his tomb
Strewn with time's dead flowers
Bereft in deathly bloom
Alone in a darkened room
The count
Bela Logosi's dead
Undead undead undead
                   
White on white translucent black capes
Back on the rack
Bela Lugosi's dead
The bats have left the bell tower
The victims have been bled
Red velvet lines the black box
Bela Lugosi's dead
Undead undead undead.
video

sexta-feira, novembro 20, 2009

Sobre a metamorfose de Franz Kafka







“Quando certa manhã Gregor Samsa despertou, depois de uma noite mal dormida, achou-se em sua cama transformado num monstruoso inseto.”
(Trecho de: A metamorfose)




O livro “A metamorfose” de Franz Kafka (1915), começa com essa asseveração perturbadora que deixa o leitor intrigado.
Seria, afinal, apenas um sonho ruim da personagem?
O ser que, na noite anterior dormira homem e acordara inseto, só poderia estar tendo um horrível e surreal pesadelo.
E pelas páginas do livro percorremo-lo com a esperança de que esse transtorno existencial, em breve, será esclarecido.
Todavia, sabemos, não é isso o que acontece.

Nos livros de Kafka, as personagens nunca acordam de seus piores pesadelos.
A surrealidade da obra cria um humor negro perturbador e absurdo.
Essa é a magia do enigmático escritor.
As personagens angustiadas expressam os próprios sentimentos de Kafka em relação ao mundo e seus anseios, suas aflições.
Talvez a obra tenha uma relação entre o 'ser ativo' e sua capacidade de produção, já que Gregor era vendedor e mantinha, por meio de sua labuta, o sustento da família.

Com a alienação e o ócio, de sua transformação num 'enorme inseto', Gregor se preocupa com sua nova condição e as maneiras práticas de locomoção, alimentação e descanso, enquanto sua família se viu na necessidade de trabalhar e se subjugar à sociedade de consumo.
Ao mesmo tempo, ele tornou-se um estorvo familiar, já que, para a sociedade de consumo, como inseto ele deixou de produzir e conquistar recursos financeiros.
Tornara-se um acomodado e ocioso em sua nova condição.
Sem rendimentos de capital qual o valor do ser humano para a sociedade que se organiza pela e para obtenção e acúmulo de rendimentos financeiros?

“ (...) Morto?, disse a senhora Samsa, olhando interrogativamente para a empregada.
É o que lhe digo, empurrando com um cabo de madeira o corpo de Gregor Samsa inerte, comprovando a veracidade de suas palavras.
Bem, disse o velho Samsa, agora podemos dar graças a Deus.”

Esse é o desespero humano perante o absurdo.
Talvez o desespero do próprio escritor.

terça-feira, novembro 17, 2009

Breve relato sobre: "Morphine", uma das bandas mais originais da história do rock

Morphine foi uma banda de estilo minimalista e extremamente original em sua proposta.

Combinava elementos do jazz e do blues com arranjos tradicionais do rock e, criaram excelentes álbuns de estúdio, com destaque para: “Cure for pain”, de 1993.

Iniciaram seus trabalhos a partir de 1989, nos E.U.A.
Era formada pelo vocalista e baixista Mark Sandman, o saxofonista Dana Colley e o baterista Billy Conway. O trio não contava com um guitarrista e o baixo de Mark Sandman possuía apenas duas cordas.

Durante uma apresentação em 1999, Sandman teve um ataque cardíaco fulminante na cidade italiana de Palestrina, falecendo aos 46 anos de idade, fazendo o que mais apreciava: tocando e cantando para um numeroso público.
Há relatos que, após cair no palco em decorrência do infarto, o público pensou ser parte da apresentação e todos o aplaudiram.

Álbuns de estúdio:

  1. Good - 1992
  2. Cure For Pain - 1993
  3. Yes - 1995
  4. Like Swimming - 1997
  5. The Night – 2000

Coletâneas póstumas:
  • B-Sides and Otherwise - 1997
  • Sampilation - 1997
  • Bootleg Detroit - 2000
  • The Best of Morphine: 1992-1995 - 2003
  • Sandbox: The Mark Sandman Box Set - 2004
  • At Your Service - 2009

Super Sex
(letra e vídeo)


Taxi taxi hotel hotel
I got the whiskey baby
I got the whiskey I got the cigarettes
Automatic taxi stop
Electric cigarette love baby
Hotel rock'n'roll the discoteque
Electric super sex
Automatic taxi stop
Electric cigarette love baby
Hotel rock'n'roll the discoteque
Electric super sex
I got the whiskey baby I got the whiskey
I got the cigarettes
You are a super ultra maxi Mega super funkie love baby
Oh I need the super star
I need a candy bar
Automatic taxi stop
Electric cigarette love baby
Hotel rock'n'roll the discoteque
Electric super sex
Automatic taxi stop
Electric cigarette love baby
Hotel rock'n'roll the discoteque
Electric super sex
You want a super ultra maxi funkie American
Love baby
Hey there mama hey there pa
Got sexy googoo baby talk
Got california baby dolls
All right yes hello my name is Mark
And I'm super rich no super star
Did you know the president is super super super sexy
Automatic taxi stop
Electric cigarette love baby
Hotel rock'n'roll the discoteque
Electric super sex
Did you know the president has super super super sex
Ah wooh uh
I got it all year long ha ha.


video
*Fontes: Wikipédia
Lyrics.com.br e
Youtube.

sábado, novembro 14, 2009

De que valem tantas elaborações?





I


Sem motivos para me gabar

Em princípio, sereno, passei a lhes admirar
Enquanto sábios discutiam, soube-me calar.



II


Ouvi todos os argumentos deles
Medi a igualdade das coisas, pesando avaliei
Fiquei insatisfeito, um poema precipitei.

sábado, novembro 07, 2009

Para ser rico, paga-se caro











Certa feita, rico me tornei
E pelo mundo viajei, numa mansão morei
Com tudo isso me alegrei


Mas, as mentiras chegaram, cansei-me
Surgiram amigos e amantes, com eles prevariquei
Impostos fatigaram-me, poucos bens guardei


Daquele tempo, restou mínimo carinho
Pelas ruas baixas, sem mochila ou mentira
Hoje, liberto do cinismo, caminho.


A Gustave Flaubert 
(1821 - 1880).

quinta-feira, novembro 05, 2009

Naquela encenação, percebi que seu beijo não foi técnico


I

Dissipei-me do outro lado, menina
Desarticulado pelo lábio, me tocaste, ímpeto sublime
Um beijo no espelho, vermelho.


II

Meu corpo vagou leve, pairou
Retirei toda maquiagem; próximo ato: expressões dir-nos-ão
Riso, vertigem; encerramos a atuação.

terça-feira, novembro 03, 2009

Quando notamos que nosso navio parou de se mover



I

As trevas do futuro assustaram
O mestre caiu, o aluno desistiu; foram-se
Balançando a cabeça em desacordo.


II

Afoguei-me no dilema dos dispensados
Guardei meu reflexo naquele velho espelho sujo
Em sua armadilha buscarei refúgio.

domingo, novembro 01, 2009

Na sua falta, sinto-me satisfeito (A Walt Whitman)





Seus disfarces nunca me ludibriaram
Vamos pelos sinais, somos falsos e verdadeiros
Só mais adiante tornaremo-nos companheiros




Enquanto isso, celebro meus medos
A alma maior percorrerá todo o trajeto
Pelo caminho, lançando seus dejetos




Vadiando, eu e meu espectro
Reconheci teu perfume, numa atmosfera sem riso
Intoxicaste meu sangue, entorpecido, ironizo-te.



*A Walt Whitman (1819 - 1892)
e suas “Folhas de relva” (1855).