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segunda-feira, abril 25, 2011

O estranho silêncio da senhorita Vogler



O que lhes contarei ocorreu nas frias e longínquas plagas suecas. Sou a enfermeira Alma e contar-lhes-ei tudo o que aconteceu. Trata-se da senhorita Vogler e ela ficou em silêncio por mais de um minuto naquele teatro. Um longo, longo minuto que deixo-nos atônitos, pois interrompeu seu belo ato

Repentinamente; ela parecia estar surpresa com esse fato. Como é possível ser uma só e outras tantas? Diante da platéia curiosa e atônita. Sorriu com a boca e se esquivou

Para trás da gélida cortina rubra, então... Viu-se nela um semblante infantil, um leve prazer. E um olhar maligno um tanto estranho, já sentada em seu camarim. Desde o início, sabia que nada poderíamos fazer

Por ela; o seu silêncio profundo e sua inanição. Foram tomados por sua própria decisão, ela possui enorme força mental . E está se testando, assimilando seus medos, provando da sua própria dor. Analisei-a por duas semanas pude chegar a essa constatação

Eis aqui os relatórios, doutor...






*Baseado em: Persona (1966)
Direção: Ingmar Bergman.

domingo, dezembro 19, 2010

O que faríamos se tivéssemos o poder nas mãos?






Caminhando pela fria floresta, apenas sangue encontrei
Enquanto as tarântulas marrons saiam da neve, olhando-as me arrepiei
Então, sem me conter apertei o olho do cervo
Acredite em mim, apertei
Não há sensação mais inebriante do que apertar...
... Apertar até estourar o olho de um cervo domesticado






Agora, ao acordar sinto...
... Sinto que tenho um prego fincado na palma de minha mão esquerda
Ah meu Deus!
Porque na esquerda ele foi-me fincado?
Essa era a mão do ato onanista de um pobre solitário
Por este lado, durante muito tempo manipulei-me com ela






Não consigo imaginá-la presa a uma estaca
Mas, sei que é a punição necessária
Enquanto a neve cai na floresta e as tarântulas vão se emanando
Estou, resignadamente, aos céus, pagando
Pagando por todos os meus pecados carnais
E, delicadamente uma taça de tinto seco, com a direita saboreando






Vários corpos chegaram inertes ao IML
Frios, pude ouvir o telefone... Uma música tântrica soava
... Ninguém o atende e um corpo se vira
Não acredito que seja Bibi Andersson
Afinal, atrizes são imortais mesmo na Suécia
Ela fica em decúbito lateral, abre um livro e sorri sem os óculos






Somente por estar tão longe dele posso identificar o título
É “A Odisséia” traduzida para o latim
Assim, descobri tudo; era tão óbvio o que diziam sobre mim
Foram longos sete anos que passaram como uma semana
Fui Ulisses prisioneiro em sua ilha vulcânica
E, somente pelo silêncio acalmou-se minha alma mundana






Dinâmica, a indiferença é o seu melhor papel?
Vamos ligar o rádio e contemplar o pôr-do-sol?
Falar sobre o perdão e saborear o fígado frito de um leão?
Brincaremos de mímica e leremos as velhas cartas do Barão?
Escritas com carinho e pena à prometida daquele nobre casarão
Da praia ao sul, entre os penhascos da fronteira dinamarquesa






Porque devemos sonhar que somos uma certeza?
Apenas parecemos e isso basta-nos!
Sonhar aqui é-nos inútil, precisamos é estarmos atentos
Descobrir o que faríamos se tivéssemos o poder nas mãos
Ou então...
... Como cuidaríamos se tivéssemos animais de estimação?










*Bibi Andersson (11/11/1935).
Atriz sueca que estrelou filmes de Ingmar Bergman.