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quarta-feira, julho 28, 2010

Armadilha do desejo



Um dia vou encontrar a cura. A cura para a mágoa, a cura para a dor. Estará em rituais? Ou no cume do vulcão extinto? Faminto e sem dinheiro. Gastei tudo o que tinha dentro daquela caverna. Vamos celebrar o controle de mim mesmo. Há alguns metros, vejo a taberna. E me convido a um drink. A esmo, com frio e solitário. Adentro-me na busca incessante de algo. E, pelo espelho da vitrine percebo



Que não ando... Pelo chão molhado, rastejo. Toda terça-feira jogávamos cartas. Apostávamos cervejas no jogo de bilhar. Íamos àquele motel com um enorme neon à frente. Decente, havia nele, perfumados lençóis. Após, voltávamos inebriados para nossas casas. Eu para a minha, de madeira, a sós. Você para a sua, se aquecer junto à lareira. “Meu marido”, você dizia, “é um homem justo, mas muito ciumento”. “Violento? Não, não o acho violento”. “Acho que você sabe o que ele é... E o que gosta de fazer quando está sozinho”



... Ouço uma voz trêmula. Que vem do fundo da sala. Eu também tenho algo a dizer. Mas, preciso ver o seu rosto e saber. Se realmente é quem penso que seja. Você só deseja... Fugir daqui, escapar dessa enrascada. O que fizemos? Porque adultos não podem brincar? Se satisfazerem, esquecerem o tempo, subirem ao palco da vida. E cantarem aquela venha canção conhecida. Por todos seremos julgados, destronados, a uma ilha condenados. Diferente, muito diferente de quando nos fomos apresentados. Havia uma “vontade de possuir” no seu olhar. Um certo desejo, também apetecia-me. Bem vejo... Caímos em nossa própria armadilha.


segunda-feira, janeiro 04, 2010

Nossos dogmas, nossos rituais profanos









Enfim, tocaram em todas as minhas transgressões
Senti-me culpado, maculado, profano
Quando interpretei-as fez-se tarde os motivos, as razões
Diante dos olhos, a culpa, os meus erros mundanos


Tiraste-me o véu, enquanto olhava para baixo, não vi o teu céu
Manifestaram-se as possíveis possibilidades de perdão?
Excetuaram-no de mim; revelou-se plena a punição
Logo depois que morri, suprimiram-me a paixão
Banhei-me na fogueira de tua Santa Inquisição.