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segunda-feira, junho 23, 2014

Um brasileiro em Budapeste



“E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite
Me deu de beber a água
Que havia lavado sua blusa”
(Chico Buarque: Budapeste)



Neon; entro em “The Asshole” vejo anônimos felizes se embriagando, dançando...
... Tristes, cantando, repetindo gestos, pessoas desconhecidas, flertando

Taças de aguardente; todos ao redor daquela dançarina, amando-a

E contemplando-a me coloquei em suas mãos, aceitei-a; acendo um Fecske



Aceite-me; aqui em Pest margeei o Danúbio, já não há tempo para remorsos
Pensar em casa, felizes sem mim? Tirei a criança obesa do coração, estou leve

Deixei o amanhã reluzir, ouro e prata brilham tal qual o idioma de Kriska; sua língua, seu pescoço alvo como neve

Esta aqui vai para a mãe de meu filho, que deixei do outro lado do mundo, que amava...


... Esta aqui vai para aquela que eu abandonei num avião para Londres
Uma simples palavra para ocupar meu tempo; seu corpo branco, branco... Branco como a luz do dia!

Zsoze Kósta... Zsoze Kósta, sim! Esse é o meu nome desde que cheguei na Hungria


Esta aqui vai para aquela que eu amo: Aprendi a chegar em Újpest!
Descobri um jeito de fazê-la sorrir; tão bela, vivendo nesse lugar lúgubre, esquisito
Fora da mente, cavo um buraco e jogo nele palavras e verbos das quais não necessito.




*Baseado em: Budapeste, romance de Chico Buarque (2003).

sábado, janeiro 30, 2010

Happy Jack, o forasteiro





Essa é a história de um homem
Que se escondia por trás de olhos azuis
Aqui, nesse vale de gelo
As crianças o conheciam por Happy Jack


Veio de longe, era o que dizia
Da ‘Ilha do Homem’, onde há um sol enorme
E, de lá, trazia um rosto queimado e
Areia branca em suas negras botas disformes


Tentando inferir-lhe aflição, as crianças o esnobavam
Cantarolavam o apelido do ádveno bronzeado e infeliz
Com cantigas pejorativas, o estrangeiro, importunavam
Chamavam-no de Happy Jack e escapavam por um triz


Diziam-lhe: Forasteiro mentiroso!
O atacavam com macacos de pelúcia
E, sempre que tentavam, as crianças conseguiam
Não havia como preveni-lo, faltava-lhe astúcia


Na verdade, usava-as em renúncia
Matava seu tempo a distraí-las
Fingia ser ranzinza e malvado, estar magoado
Era somente um homem triste e bronzeado


Eu te vi, Moon!
Fazendo malvadezas
Com Happy Jack
Eu te vi...


*Baseado na canção: "Happy Jack" do The Who, lançada em dezembro de 1966 na Inglaterra.
No final da música, Townshend pode ser ouvido gritando: "Eu te vi!"
Dizem que ele estava observando o baterista Keith Moon tentando adicionar a sua voz na gravação. Essa atitude do baterista não tinha a aprovação da banda.
Mas, foi o registro do grito do guitarrista que acabou gravado na música.

Vídeo: Happy Jack Cartoon


*Fonte: Youtube