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terça-feira, março 30, 2010

Não se preocupe comigo, sou apenas um matador psicótico



O nervosismo e a tensão não me deixam relaxar
O formato da ilustração era o que menos importava
Iniciei um poema que não saberei terminar
Espero por uma descarga elétrica, algo para me desintegrar


Falei demais, fiz coisas insanas durante a alucinação
Não consigo dormir, estou na prisão, não se preocupe comigo, desista
Acreditei nos homens, recuperei minha fé e levantei a questão
Iniciei-me no Daime por indicação de um velho amigo cartunista


Quando dei por mim, estava em disparada pela pista
Correndo, acelerando cada vez mais em direção à fronteira
Sou um matador psicótico, acabei de ouvir no rádio, que besteira!
Um “anônimo procurado”; o que fiz essa noite lançou-me à glória?


Odiei a educação dos cobradores de pedágios e por eles obtive vitória
Diga-me uma coisa por vez, concretize minha esperança
Tenho lembrança da compra da arma, não havia mais tolerância
Naquela estância a cegueira me fez ver, entre nós, a distância


Meus lábios estão selados, tenho sede e os olhos esbugalhados
Disse-lhes tudo, mais de uma vez, por que dizê-los novamente?
O que eu fiz esta noite? Porque estou contente?
O que ela me disse? Chamou-me de assassino demente!




*Homenagem a Glauco Villas Boas
(10/03/1957 — 12/03/2010).
Desenhista, cartunista e religioso, morto juntamente com seu filho em sua chácara em Osasco, SP, por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes.
*Baseado em: Psycho Killer, canção 
dos Talking Heads.
*R.I.P. Glauco.





sábado, janeiro 30, 2010

Happy Jack, o forasteiro





Essa é a história de um homem
Que se escondia por trás de olhos azuis
Aqui, nesse vale de gelo
As crianças o conheciam por Happy Jack


Veio de longe, era o que dizia
Da ‘Ilha do Homem’, onde há um sol enorme
E, de lá, trazia um rosto queimado e
Areia branca em suas negras botas disformes


Tentando inferir-lhe aflição, as crianças o esnobavam
Cantarolavam o apelido do ádveno bronzeado e infeliz
Com cantigas pejorativas, o estrangeiro, importunavam
Chamavam-no de Happy Jack e escapavam por um triz


Diziam-lhe: Forasteiro mentiroso!
O atacavam com macacos de pelúcia
E, sempre que tentavam, as crianças conseguiam
Não havia como preveni-lo, faltava-lhe astúcia


Na verdade, usava-as em renúncia
Matava seu tempo a distraí-las
Fingia ser ranzinza e malvado, estar magoado
Era somente um homem triste e bronzeado


Eu te vi, Moon!
Fazendo malvadezas
Com Happy Jack
Eu te vi...


*Baseado na canção: "Happy Jack" do The Who, lançada em dezembro de 1966 na Inglaterra.
No final da música, Townshend pode ser ouvido gritando: "Eu te vi!"
Dizem que ele estava observando o baterista Keith Moon tentando adicionar a sua voz na gravação. Essa atitude do baterista não tinha a aprovação da banda.
Mas, foi o registro do grito do guitarrista que acabou gravado na música.

Vídeo: Happy Jack Cartoon


*Fonte: Youtube

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Mr. Klove prepare o jantar aos visitantes







Meu Amo está morto
Mas, deixou-me instruções
Para que a casa
Estivesse sempre pronta
À chegada de hóspedes


Muito prazer,
Quem lhes serve o jantar
Chama-se Klove
E eu sou um cumpridor
Dos desejos de meu senhor


Seu nome era Conde Drácula
De linhagem antiga e distinta
Não deixou filhos, nem discípulos
O jantar será servido aos cavalheiros
Olhem, seu brasão está fixado sobre a lareira


Bom apetite, com licença...


Vamos tirar proveito da hospitalidade
Um brinde ao Conde Drácula
Que descanse em paz!
Naquele instante
Um vento frio preencheu toda sala...


As cortinas balançaram
E nossos ossos rangeram
Venha logo, querida, estou com frio
Durmamos agora, traga os lençóis
Pois, já não haverá amanhã para nós.



*Baseado em: "Drácula, o Príncipe das Trevas" 
com Christopher Lee, Direção: Terence Fisher


*Produção: Hammer Films, Inglaterra (1966).
Fonte: Youtube

domingo, novembro 29, 2009

The Sisters of Mercy: a última grande banda gótica






The Sisters of Mercy é uma banda britânica de rock gótico, formada em Leeds, em 1980 por Andrew Eldritch, que inicialmente tocava bateria e Gary Marx na guitarra. Esse nome peculiar, estranho e arcano tem sido ligado à literatura de terror de H.P. Lovecraft.

Na verdade, a origem do nome da banda é discutível, mas especula-se vir de uma música de Leonard Cohen ou de uma ordem religiosa de freiras católicas.

A Eldritch e Marx juntaram-se Ben Gunn, logo substituído por Wayne Hussey em 1983 e Craig Adams que assumiu o contrabaixo. The Sisters of Mercy inovou ao usar uma máquina para executar a percussão, batizada de Doktor Avalanche.

Essa bateria eletrônica ajudou a criar o som característico da banda: um rock de tempo bem marcado com um ritmo sintético afiado.
Diziam os críticos da época que Doktor Avalanche era o único membro da banda disposto a tolerar o “temperamento artístico e excêntrico de Eldritch", que se tornou o líder centralizador e vocalista do grupo.

Apesar de ter lançado apenas três LPs, The Sisters of Mercy tornou-se uma das mais influentes bandas da década de 80. A banda enfrentou todo tipo de instabilidade emocional e profissional entre seus integrantes: apenas o cantor e compositor Eldritch participou dos três LP.
A música do The Sisters of Mercy reunia elementos de psicodelia, dance e punk.

Logo após seu disco de estréia: “First and last and always”, em 1985 a primeira formação da banda foi desfeita.
Wayne Hussey e Craig Adams partiram e formaram o efêmero grupo Sisterhood para rivalizar com o Sisters.
Mas, num golpe de mestre, rapidamente, Eldritch gravou um single com o mesmo nome, forçando-os a abandonar o projeto inicial e, desta forma, surgia o impávido e bem sucedido: The Mission.

O cantor Eldritch tinha como estilo uma voz profunda e cavernosa e suas letras eram verdadeiras descargas elétricas, mas não tratavam de temas comuns ao rock gótico.
Aparecia sempre com um inseparável casaco negro roubado de Patrícia Morrison, integrante do grupo e parceira do vocalista, que certa vez afirmou: “preferia furar meus olhos com agulhas a ter que encontrá-lo novamente”.

A imprensa britânica começou a identificá-los como uma banda tipicamente ‘gótica’, o que em meados dos 80’s valia como um enorme insulto artístico.
Isso gerou, por parte de Eldritch um desprezo pela mídia inglesa e pelos fãs estranhos que o som da banda começava a atrair.

Em 1987, chegava as lojas o álbum: Floodland, um sucesso imediato.
As comparações com o extinto Joy Division eram cada vez mais frequentes, devido à atmosfera claustrofóbica que ambas faziam questão de ressaltar nos seus respectivos trabalhos.

Logo o The Sisters of Mercy desenvolveria um exotismo da decadência aos deuses do rock.
Influência notória do depressivo norte da Inglaterra e suas paisagens desoladoras e glaciais, aliada a ameaça de um mundo pós-industrial desmoronando gradativamente num romantismo perverso e sensual, eram retratados em faixas que atraiam um número cada vez maior de jovens pálidos frequentadores de cemitérios.

O vocalista, sempre autoconfiante, diferente da figura 'vulnerável' de Ian Curtis, mantinha-se distante e imune as canções e temas tóxicos que propagavam a autodestruição.
Apenas saboreava, ácida e sarcasticamente a degeneração humana sem mergulhar em suas profundezas como fez o suicida Curtis.

O som do The Sisters of Mercy foi se tornando cada vez mais sintético, urbano e hipnótico, realçados pela voz barítona de Eldritch, que mais parecia ter saído de uma cova, se é que uma entidade tão amorfa possa realmente existir e se comunicar como os vivos.

Apesar de rejeitar a classificação de gótica, The Sisters of Mercy foi uma liderança no gênero, tendo alcançado amplo sucesso na Inglaterra e nos EUA.

Dificuldades de relacionamento com Andrew Eldritch foram frequentemente citadas como a principal causa de rupturas por parte de membros do The Sisters of Mercy.

Em 1985, Gary Marx sai da banda e forma o Ghost Dance.

Hoje, além de Eldritch, apenas Chris May e Ben Christodoulou atuam na banda, além de Doktor Avalanche, é claro.
O ocultismo e o macabro não fazem parte das letras do compositor, não se
falam de aranhas que passeiam pelo corpo, nem fantasmas ou zumbis saindo de caixões, suas letras transitam entre temas políticos, psicológicos e cultura moderna, mas há clichês inegáveis que transformaram o The Sisters of Mercy no maior expoente gótico da história do rock, e ainda hoje carregam o rótulo de: “a última grande banda gótica”.

Álbuns de estúdio:

First and Last and Always, (1985)

Floodland, (1987)

Vision Thing, (1990)


*Fonte: Baddeley, Gavin Gothchic Editora Rocco: 2005.

Lucretia My Reflection  (By Andrew Eldritch)

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Hot metal and methedrine
I hear empire down
I hear empire down
I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Love lost, fire at will
Dum-dum bullets and shoot to kill, I hear
Dive, bombers, and

Empire down
Empire down
I hear the sons of the city and dispossessed
Get down, get undressed
Get pretty but you and me,
We got the kingdom, we got the key
We got the empire, now as then,
We don't doubt, we don't take direction,
Lucretia, my reflection, dance the ghost with me
We look hard
We look through
We look hard to see for real
Such things I hear, they don't make sense
I don't see much evidence
I don't feel
I don't feel
I don't Feel
A long train held up by page on page
A hard reign held up by rage
Once a railroad
Now it's done...

I hear the roar of a big machine
Two worlds and in between
Hot metal and methedrine
I hear empire down...
We got the empire, now as then,
We don't doubt, we don't take reflection,
Lucretia, my direction, dance the ghost with me...


Fonte: Youtube