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sexta-feira, janeiro 15, 2010

Confissões de Lolita

Iniciei-me precoce, suave e irreverente
Aviltação em matéria da criação inconsciente
Sua sedutora mostrando-lhe o precipício bem à frente
Vangloriava-me, de início, na arte da sedução incongruente
Numa incerta hesitação adolescente



Humilhava-me por não ser flor
Desprezava-me por ter seios assimétricos, sentir dor
Jogava-me em seus braços num fascínio inacabado, quase-amor
Tornava-me antipática pela perdulária fertilidade
Apesar da idade, exigia-me quadris com habilidade



Não era “a que se cheire”, acusava-me em defesa
Fingia que iria lhe esquecer, recomeçar, um jovem de minha idade conhecer
Cedo ou tarde, igualaríamos em emulação e desacertos
Nas manhãs, preenchia-me de indelicadeza viscosa e espessa
Ao seu modo, terna violação, desfazia-me ilusões, presenteava-me com infames comparações



Não me deixaste pétalas ou folhas, só as palavras certas
Arrancaste-as em logro encanto, Sr. Humbert Humbert
Em incompatíveis emoções, seu forno me esquenta
Ferindo as conveniências, sendo inoportuno
Trouxe-me prejuízos e desvantagens e não se lamenta
Mas também lhe quis, desejei partir contigo, sem rumo, isso eu assumo!







*Baseado em "Lolita" romance 
de Vladimir Nabokov (1955).

quinta-feira, setembro 03, 2009

Em 1147 as noites não foram suaves e, no cerco, uma flor desabrochou

I

‘Lolita’, era esse ‘O nome da rosa’, begônia
Mas, ‘O perfume’ emanado, lhe trazia ‘Insônia’
Na ‘História do cerco de Lisboa’, empalideceu...


II

O ‘Grande Gatsby’ conheceu, próximo ao condado
Por olhares, combinaram um ‘Encontro marcado’
Efêmero, intenso, um ‘Breve romance de sonho’ concretizado.






*Com esses versos minimalistas presto minha homenagem as obras de:
Vladimir Nabokov, Umberto Eco, José Saramago, F. Scott Fitzgerald e Arthur Schnitzle, Fernando Sabino, Patrick Suskind e Graciliano Ramos.