Mostrando postagens com marcador Imagem: Google Images. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imagem: Google Images. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, setembro 03, 2009

Em 1147 as noites não foram suaves e, no cerco, uma flor desabrochou

I

‘Lolita’, era esse ‘O nome da rosa’, begônia
Mas, ‘O perfume’ emanado, lhe trazia ‘Insônia’
Na ‘História do cerco de Lisboa’, empalideceu...


II

O ‘Grande Gatsby’ conheceu, próximo ao condado
Por olhares, combinaram um ‘Encontro marcado’
Efêmero, intenso, um ‘Breve romance de sonho’ concretizado.






*Com esses versos minimalistas presto minha homenagem as obras de:
Vladimir Nabokov, Umberto Eco, José Saramago, F. Scott Fitzgerald e Arthur Schnitzle, Fernando Sabino, Patrick Suskind e Graciliano Ramos.

sexta-feira, julho 10, 2009

Novo método



Se afundares,
A confissão era falha.
Se boiares, será a prova da idolatria!

Então,
Retirado da água irá à forca!
Mas, vou usar um novo método:
A fogueira irá nos mostrar!

Se gritares,
Será o demônio deixando o pobre corpo!
Se se calares,
O pacto se mostrará diante dos nossos olhos...

Dez moedas de prata é o preço do julgamento
Ela era inocente... Está provado não caçoe.
Seu corpo afundara,
Deus a abençoe!



*Baseado no filme: "O caçador de bruxas".
Direção: Michael Reeves (1968).
*Obra prima da London Films.
*Adaptado a obra de Edgar Alan Poe
(19/01/1809 - 17/10/1849).

No Youtube: Retinas Queimadas - Novo método

terça-feira, junho 23, 2009

Concepção dos antigos


Nos livros antigos está escrito o que é sabedoria:


Manter-se afastado dos problemas do mundo.
Sem medo, perdurar o tempo profundo.
Abster-se do caráter imundo.
Atuar pela razão sem superstição.
Seguir seu caminho sem violência, com atenção.
Pagar o mal com benevolência.
Esquecer os desejos, enfim...
Regular os anseios com paciência sim.
Sabedoria é temperança.
Mas, pobre de mim!
Ajo em tentação, sem esperança.
Homem sem brios, na verdade, eu sei...
Que vivo aflito nesses tempos sombrios!




*Adaptado do poema: “Aos que vão nascer” 
de Bertold Brecht
(10/02/1898 - 14/08/1956).

segunda-feira, junho 22, 2009

Raio X do tórax de um poeta gótico





Estruturas ósseas visualizadas sem desvios
Com abaulamentos
Mediantismo centrado
Cúpulas frênicas livres

Sem congestionamentos
Hilos e tramas vasculares anormais
Hipertransparências vicerais
Com certeza, são sinais...

Área cardíaca além dos limites da normalidade
Meu coração, eu pressentia
Bate descompassado da realidade.

sábado, junho 06, 2009

Cemitério de cachorros



Quando o homem atingiu a colina
Viu de cima as pessoas, as meninas
Tetos irregulares, sino a badalar
E lá embaixo, transeuntes a pecar.

Tirou os óculos, piscou os olhos
Olhou ao redor, saco no chão
Dentro dele
Um cadáver, um cão.

Cachorro desconhecido
Começou a cavar
Animal desaparecido
Sob a terra em breve estará?

Mas, se fosse outro?
O verdadeiro cão?
Enterrá-lo-ia na escuridão?
Quis olhá-lo melhor, gerou-lhe perturbação.

Aqui jazem os cães!
Pensou a olhar.
Ao redor várias covas.
Paisagem limiar.

Sua ideia era enterrar.
Necessidade criada, afã de cuidar.
Cuidar de um cão morto.
Pá na mão e um conforto.

Aqui mesmo, pensou.
E, num gesto grotesco, começou...
Pá fincada o chão abriu.
E com delicadeza o cão caiu.

Pousou naquela cova.
Viu terra na mão.
Admirou com certo gosto.
A sua perfeição.

Começou a pensar.
No verdadeiro cão.
E com dificuldade não encontrou a razão.
Deu-te então, o nome Abraão.

No cemitério dos cachorros loucos.
Esse homem trazia a dor.
Passava noites em claro.
E de dia professor.

Em sua cidade triste.
Ninguém o observava.
Mas ele recolhia.
Cada cão que encontrava.

Cães famintos, quase mortos.
Dava cabo, resignava.
Sua missão.
Os seres desintegrava.

Era assim que o queria.
Cobrir os cães com terra fria.
O professor de matemática.
Lecionava geometria.

Naquele dia frio.
Deu um suspiro fundo.
Um sorriso amarelo.
Um regozijo quase imundo.

Passava discreto, sua sina.
Inocente de libertação.
Abatia cães como insetos.
E no colégio outra missão.

Lembro-me de ti quando era pequeno.
Meu cachorro inquieto, sumindo era certo.
Aquele homem cheirava as ruas.
Num gesto repleto de agruras.

Quem é o cão heroico.
Quem sairá dessa punição?
Viver é uma alegria?
Para os cães uma missão.

Eu via a angustia em seus olhos.
Via a angústia de ser cão.
Quem poderia abandonar-te?
Matar-te com um ferrão?


*Baseado no conto:
"O crime do professor de matemática" 

de Clarice Lispector.

quinta-feira, junho 04, 2009

Indagações de Mary Shelley




Devo procurar a felicidade na tranquilidade ou no caos?
Devo evitar a ambição ou deseja-la?
Devo ser indiferente às coisas do mundo?


Eu tive minhas esperanças destruídas, mas posso ser, um dia, bem sucedida?
Não há como furtar-me, senão entornar até a última gota do cálice da amargura.
Mas, pensando bem, e analisando as conjecturas:
Não há demônio.


Há uma sensação de segurança, uma inefável impressão de que se estabelece uma trégua entre a hora presente e o futuro inexorável.
Isso me impele ao mar do esquecimento, sobre ondas que deixei pairar meu pobre espírito.



Indagações que afetam meu metabolismo.
Respostas que perturbam minha resignação.


Mary Shelley, escritora. 
(30/08/1797 — 01/02/1851).

Randy Carneiro, o lutador



"Saiba se dominar e vencer a si mesmo.
Domine os vícios e supere os defeitos."
(anônimo)







Subi nas cordas do ringue,
E saltei firme num golpe final,
Como Randy "o Carneiro”
Personagem que se tornou lenda imortal.

Lutador lúdico, selvagem, enfrenta e suporta a dor.
Construiu sua carreira, uma imagem, mas nunca foi ator, por...
... Inconsequente bobagem, pudor?
Na entrada, os clamores inspiravam, arrepiavam-no!

Na lona, encontrava o paraíso, 
Velhos adversários, mulheres e o que seu dinheiro conseguia comprar.
Nas ruas, desolação, solidão, trapaceiros; em casa desprezo da filha.
No coração compaixão da stripper, na cabeça palavras de auxílio...
"O melhor vinho do mundo é aquele que saberás apreciar no exílio"

Conto com tuas forças, traga-me um fomento...
Oh, cara amiga, clamo-te em lamento!
O coração me trai, sinto cansaço, fadiga.
Caio na lona, me desfaço diante do fã.

Não posso parar, devo continuar.
Seria suspeita, afinal ele é... O único que me respeita!
Tenho grampos pelo corpo, hipnóticos!
Hipnotizados, tem transe, me olham e gritam meu nome!

Escorrem o sangue da vitória no arame farpado!
Acordo prévio com o oponente enroscado, meu alvo dilacerado.
O público grita eufórico, estão em delírio, sinto... Dor!
Fecho o cerco da inspiração, caio de joelhos ao chão.

Desapareço em estradas esburacadas.
Me perco em paisagens desoladas.
Na arena, irrompi a solidão, muitos autógrafos nas calçadas.
 Caneta na mão, sou simpático e não vou recusar uma foto.

Mas, o personagem é trágico e a dor avassaladora!
Pobre coração, vida tentadora, no último instante...
A imobilização combinada não encaixou.
O público... Respirou, meu oponente.

Olhando-me com olhar de cólera:
Não demora Carneiro!, aconteceu alguma coisa?
Seja homem, reconheça, vou afrouxar sua coleira.
Estamos no derradeiro ato, não chore, suplique; não pereça.

Implore ao público e instigue os fãs, provoque-os e termine essa luta!
Não espere o ontem, lembre-se daqueles golpes ensaiados...
Dê-me seu máximo, vá além; as luzes se apagarão se fores tenaz.
Ela esteve contigo?

Procurá-la-ia depois do embate?
Pediu que não o fizesse, que no ringue não entrasse?
Não era necessário que provasse, não lutasse, relevasse essa proposta?
Provou para si mesmo que não aguentaria?

Afinal só sabia lutar, nada mais.
Amigos... Amantes e filha perdeste!
Perdeste todas as discussões com a sua filha.
Só no combate conquistava a glória dos rivais!

Fama, renome... Pôster na parede e virtude no labor.
Inspiração, clamor... Ufania e admiração!
Triunfos na carreira de um lutador
Foram tempos de glória e uma vida de exaltação!

Nos 80’s fostes o melhor da década.
Foram brilhantes os vinte anos de uma época.
Época de uma lenda que hoje não existe mais. 
Sombra do passado, lutador decadente, envelhecido, enfartado!





*Dedicado a Randy "Carneiro" Robinson, personagem do filme: 
“O lutador - The Wrestler” (2008)
com Mickey Rourke e dirigido por Darren Aronofsky.