Mostrando postagens com marcador Imagem: Lou James. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imagem: Lou James. Mostrar todas as postagens

domingo, julho 10, 2011

Os Retinas Queimadas na festa fantasma de premiação



Fizemos por nós mesmos e nos levamos na brincadeira
O tempo todo, desafio de adultos famintos por arte, comida e diversão
É sério...  Não sabíamos cantar e cantamos
Não sabíamos fazer música e fizemos


No salão de mármore nós recebemos...
... Os anéis de ouro, um símbolo da banda, de Nosfa #
Um símbolo do amor pela arte, pela música titânica
Não sabíamos como fazer e fizemos, está feito


Também não sabíamos como cantar em agradecimento, só gritamos
E cantamos
Gritando, correndo entre corredores estreitos
E salas amplas e largas cheias de fantasmas e dentes
E armários e armários, mais e mais armários


Derrubamos o troféu e ele se quebrou
Foi sem querer... Lou!
Não ao meio, mas em mil pedaços
Curtis Jones, pela lente fotográfica, constatou...


Espalhou-se por todo o salão principal e agora
Todos vocês que assistiram, sentados, a premiação
Podem ter um pedacinho do nosso troféu para se lembrarem
Se lembrarem dessa noite e do troféu que caiu no chão


Propositadamente, Rasec Augusto sussurrou-nos baixinho
E, todos desconfiaram dele e sorriram em aprovação
Afinal, de que vale uma pedra forjada na estante se empoeirando?
Melhor ela indo de encontro ao chão de pedra polida


E se rachou todo, antigo e frio, o troféu
Sob chiados e emissões de fluxos em faixas
Agora tudo acabou como deveria
Aparentemente, nessa interminável noite sem lua no céu



Em que os fantasmas nos rodearam e nos mancharam com ectoplasma verde
Das orelhas até os pés, vemo-nos e não acreditamos no que vemos
Sinto-me um caça-fantasma que brinca com Geléia
Foi o que Núbia Poison disse, olhando para Nosfa#


E pusemo-nos a rir freneticamente; eis que...
Um vento invadiu o corredor e ouvimos uivos e gemidos
Uma fria brisa irrompeu as fendas estreitas das portas dos armários
Eu, de medo, havia me escondi num deles, o de número treze


Lá de dentro, escuro; pude ouvir as correntes
Mais que o óbvio, sentir o cheiro ocre e admitir que...
Ele está em pedaços; assim nosso prêmio foi compartilhado
A estatueta, fria como uma serpente, pelo mérito do trabalho realizado.




*Baseado em '32 dentes': Titãs
*No dia em que os Retinas Queimadas participaram de uma festa de premiação musical num sítio assombrado em Brasília DF.

quarta-feira, julho 06, 2011

A retomada do básico




Estamos em 76 e eu tenho 17
Não consigo mais esperar pelo fim do mundo
Eu quero o fim do mundo agora!


Estou na platéia e somos melhores do que a banda
A banda que toca e nos toca, dá-nos a revolução
É loucura... Loucura pura... Contratem a platéia
Gravemos um disco à la punk onde não há músicas, só caos


Meu visual é rude e malcriado, anti-arte e anti-moda
Sou Dadaísta de vanguarda, detesto a harmonia e o bom gosto
A contragosto, falo de política só para discordar do Sistema
Não sou de esquerda e nem de direita, sou anarquista e sou o oposto


Punk, meu amigo, não é revolução política
Punk é revolução de estilo, sem retóricas e sem medidas
Punk é a retomada do básico: guitarra, baixo e baterias baratas
Os jornais vendem, as gravadoras lucram...
... E não temos nada gravado até agora!



*Baseado em texto do livro: “O que é Punk” de 
Antonio Bivar, 1982.

segunda-feira, maio 23, 2011

O silêncio de Keats





“Mesmo no templo do prazer, 
velada melancolia tem seu santuário soberano.” 
(John Keats)



No canto da sala, o violão negro toca. Tons e acordes, inerte toca solitário, toca. Toca uma canção fúnebre, de morte. Uma canção que traz um cheiro peculiar de

Flores vermelhas, brancas, flores. De um ritual doloroso que mata a esperança. Eis que um canto fúnebre celebra... Celebra, emanado das profundezas da garganta que

Fez uma vida de sensações chorar, pelos olhos, lágrimas. Lágrimas num tempo de deleite, um hiato, silêncio... Vida de pensamentos, beleza que tomba depois do som. Numa praia desolada inundada de silêncio


Do choro, antes da palavra velada. Derradeiro ao gemido dado de graça. Não há som de prazer que preencha adequadamente. O sossegado abrigo impelido a


Fazer-nos louvar as fantasias. Saúde do corpo e sua história efêmera. Adentramo-nos e sentimos a perda fatal. Faz-se a hora do amargurado funeral


Louvaremos diante do... Corpo e santuário dos mortos elevem-se à auxiliadora. Mães, do púlpito, reverenciaram ao. E, entre lágrimas, nos prostramos em silêncio a alma pecadora.


*A John Keats 
(31/10/1795 – 23/02/1821).

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Capturado por um sentimento







“O casamento não deveria ser uma prisão, mas um jardim, onde algo superior é cultivado.”
(F. Nietzsche)







Todos nós somos um espírito em formação
E nos construímos a partir de nossas escolhas
Buscando cada um, seu próprio rumo
Sabendo que não se começa a voar voando!


A águia mostra suas garras
Quando se lança ao mergulho
Ela teme águas rasas
Mas atinge o firmamento com orgulho


Não busca o conforto, só investiga o terreno
Não sou como a águia, obedeço a comandos
Não dirijo a mim mesmo
Minha propensão é para a angústia


Depois que ela, envolta em sedução
Ofereceu-me a dádiva
A dádiva da servidão
Tornei-me escravo por paixão


Quando não entorpeço entre estranhos pensamentos
Fico sem pensar em nada, só na cerimônia de casamento
Sua aflição é tendenciosa e me contagiou
Mostre-me suas presas duras, relembre-me as juras
As mesmas com as quais você me capturou



*Baseado em citações de Nietzsche.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

No último dia daquele ano








No último dia
Daquele ano
Em que
A guerra começou...






As irmãs de caridade passaram por aqui e se foram
Assim como vieram, se foram; antes
Nesta Vila dos Poemas”, fundada por Brecht em 1937
Lembro-me de uma fria manhã de inverno quando nos trouxeram conforto
Abriram os nossos olhos para os pecados do mundo
Sentaram-se ao nosso lado e ouviram nossas confissões
E, se foram...




Eu que, pensava em abandonar tudo
Abandonar minha família, abandonar minha profissão...
Não, eu não tinha amante e nem dívidas, muito menos hábitos mundanos
Não tinha religião, mas, ouvia músicas de minha região interiorana
Não tinha ciúmes, nem preguiça e pude acumular muita lenha para aquele inverno de incertezas
Cuidava de minha esposa e de meus filhos como um verdadeiro homem deve fazer, enquanto o céu era iluminado por rajadas
Ao deitar-me, algo me inquietava e só pensava em largar tudo
E, se foram...




Estava vazio como um túmulo a espera do corpo morto
Minha razão me dizia que pequei contra os que mais me amavam
E um temor no meu coração preenchia toda minh’ alma
A tristeza completava-me com suas incertezas...
Então as irmãs de caridade com suas doces palavras
Tocaram meu coração como o orvalho toca uma folha
Uma delas sentou-se ao meu lado e com um olhar sereno acalmou-me o semblante
E, se foram...




Cantarolando-me poemas de Leonard Cohen
Mostrou-me a verdade, a natureza dos humanos, o valor da vida...
... Perdido na neblina da dúvida fui resgatado, e eu pude sentir a centelha da felicidade se acendendo
Aos poucos, eliminando o medo de morte de minha carne
Sem insistência, mostrou-me a razão para continuar vivendo
Esperançoso, livre de jactâncias e altivez não se fez como uma amante
Doravante, irromperam-se as luzes de minha existência...
E, se foram...





Dissemos-lhes:
Fiquem conosco!

Enquanto a lua adormecia
Mas, as irmãs de caridade
Despediram-se
Dizendo-nos:
Ainda há muito que se cumprir
E, se foram...


*Ao mestre Leonard Cohen (21/09/1934), poeta e cantor e compositor canadense.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Sei que seu mundo está ruindo





Faz um calor infernal e tenho cãibras na perna esquerda
Ah, essas cãibras... Um dia me mato por causa delas
O bruxismo me corrói e estou encharcado de café e Fausto Wolff
Porque um sonho nunca é só um sonho, nem um livro é só um livro?
Porque tive que descobrir toda a verdade da vida naquele romance de 1978?





Mataram o cantor e chamaram um garçom...
E ele se aproxima da mesa, no colarinho uma borboleta preta
Espero que uma overdose de potássio venha aliviar todo esse desespero
Viro para ele e peço sem cerimônias: Uma cachaça e outra cerveja!
Nada é-nos eterno, muito menos as câimbras e tão pouco meu pedido efêmero





Só aquele olhar vazio do garçom nunca mais sairá dos meus pensamentos
Vou mergulhar nas profundezas e beijar a boca do meu medo
Sei que sou capaz, apesar da escuridão, irei tateando para encontrar
Encontrar o rosto do meu medo e apertar-lhe o pescoço
Isso é o que me traz esperança, alivia-me o desgosto





A próxima contração virá...
... Ainda mais forte que a anterior?
Quebrar-me-á os ossos?
Senhor... Ajude-me!
Precisas saber o meu nome, de onde eu vim, quais charutos aprecio?





Nada disso... Só preciso manter a calma
Uma calma interior de quem se aperfeiçoou em caçar borboletas
Sim, um caçador com alma de diretor de cinema...
... Mas não busco borboletas, estou fora de cena
Não sou como Kubrick, sou um apostador de roletas





Estou de olhos bem abertos
Dê-me um sedativo, esvazie a garrafa e depois me mande embora!
Sinto a presença do anjo e penso na morte
Quando percebo o anjo sei que ela está por perto
Então, vou celebrar a existência levantando o meu copo





Por quanto tempo poderei celebrar?
A chegada do verão, o aumento da temperatura, a qualidade da cerveja...
Nesse boteco de esquina que não vende tintos secos
A cerveja e Schopenhauer são minhas únicas soluções
Soluções que me fizeram descobrir que jogava o jogo de maneira equivocada





Besuntado em suor e precisando de um banho, celebro os limites da natureza
Pois, com certeza... Ah, pobre garçom de olhar vazio!
Noutro dia, o inverno irá recomeçar
Não me importa se é sincero ou está mentindo
Sei que seu mundo está ruindo
E, pelas fissuras a água irá penetrar
Em verdade lhe digo:
Quando estiver afogando, ainda sim estarei a lhe admirar.





*Homenagem a Fausto Wolff
pseudônimo de Faustin von Wolffenbüttel, 
Santo Ângelo, 08/07/1940 — 
Rio de Janeiro, 05/09/2008. 
Jornalista e um dos meus escritores preferidos.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Já não somos mais os mesmos





Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
De um porco ou talvez um suculento e enorme peixe
Mas, agora devo continuar...
Deixar que a loucura retorne de fato
Retorne e me faça querer matar
Nunca pensei que poderia concretizar esse ato
E, agora tenho certeza que posso fazê-lo



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Uns dos outros?
Talvez?
Por que não?
Eles são malucos e temem as cobras desta ilha
Nem sei se há cobras nessa ilha, conheço só a esquizofrenia
Mas, sei que precisamos de abrigos firmes para nos proteger ao fim do dia



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
O Sol está se pondo e não temos muito tempo
Terei, eu, tempo?
Eis que me vem à idéia:
“Nessa ilha deserta, tenho todo o tempo do mundo”
Ninguém nos achará... Pobre de mim
Pobres crianças, enfim... Estamos imundos!



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Andamos todos juntos, criamos um novo mundo
Um mundo de experiências empíricas e sentido abstrato
Sentido abstrato de sobrevivência de quem viveu apenas uma década
Agora, precisamos pegar um porco
Precisamos construir um abrigo
Precisamos dominar o fogo



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Pegar os frutos no alto, onde “os menores” não conseguem alcançar
Descobrir os maduros, por entre as folhagens
Entregá-los àquelas mãos outrora sensíveis e delicadas
Sujas, unhas quebradas, arranhadas nessa nova realidade
Depois que o avião caiu, tudo em nossas vidas novéis se transformou
Da noite para o dia, já não somos mais os mesmos nessa nova comunidade



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Entre trepadeiras e arbustos escorrem o nosso suor
Ouço as ondas quebrando, sinto um cheiro de jasmim
E um silêncio de sobrevivência que me incomoda tanto
Tanto quanto a irresponsabilidade dos que só querem brincar
Brincar na “piscina”, brincar no “jardim”
Espalhar-nos-emos pela ilha, em busca de que?



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Ainda não nos ajustamos ao novo ritmo
Sentimos falta do café da manhã, do almoço, do chá, dos bolinhos
Faz-me mais falta as refeições do que a mão de minha tia e o que ela me ensina
Obedecemos ao som da concha e nos alinhamos pronto às ordens!
Ela é o nosso elo com o mundo adulto da autoridade e da disciplina
Acho que ainda não tenho maturidade suficiente para entender isso



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Vamos ajoelhar na areia e ficar em paz
Parar de brincar e ficar olhando para o mar
Será que, em breve, um navio virá nos resgatar?
Nesse azul que machuca os olhos, os raios solares são como flechas
E os tabus, são como moscas
Moscas que rodeiam uma civilização em ruínas



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Desejamos a proteção dos pais, a proteção do policial fardado
Todos nós estamos despidos, envoltos em pequenos farrapos
Arranhados, doloridos, desidratados, enquanto as pedras rolam
Enquanto a chama apaga, enquanto o medo aumenta, nós a míngua
Aqui, as coisas querem se parecer outras
Como um camaleão num tronco, preparando, ao ataque, sua língua



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Faremos um relógio de sol!
Que ótima idéia!
Ótima idéia para nada
Devemos fazer coisas para que nos encontrem
Calem-se, calem-se todos!
Vocês deixaram a maldita fogueira apagar!



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Matamos um porco
Rastejamos... Fizemos um círculo...
Acertamos e caímos em cima
Enquanto, Jack nos orientava:
Matem o porco...
... Cortem-lhe a garganta e lhe tirem o sangue!



Nós queremos carne
Desejamos muito comer a carne
Calem-se, calem-se e comam o porco
Que eu mesmo matei e preparei
Como o cheiro das flores, no crepúsculo, se espalha ao redor
Vamos fazer uma reunião, nos preparar para o pior
Vocês deixaram a fogueira apagar... Dizia-nos Ralph
Enquanto eu pintava meu rosto e visualizava, ao longe, um suposto navio



Vocês querem a carne
Desejam muito comer a carne
Em democracia o líder foi escolhido, ouçam-no tocar a concha
Mas, o fascismo impõe o medo e quer nos controlar
Façam o que ele manda, é melhor estarmos ao seu lado
Há uma revelação mística: “O mal está em nossos corações”
Não conhecemos a serpente, mas a tememos
Tememos, pois, temos razão e habilidade para vê-la com clareza



Vocês querem a carne
Desejam muito comer a carne
Descer a montanha fugir do fogo, se alimentar
Dê-me sua lente, Porquinho, são convexas e o fogo irá propagar
Já não há mais amarras que nos ligam à civilização
Quando a vara penetrar em suas entranhas, não grite!
Não grite, pois ele vai voltar
Sim, o Senhor das moscas não tardará a chegar.



*Baseado em: "O Senhor das moscas" (1954).
de Willian Golding (19/09/1911 - 19/06/1993).

sexta-feira, novembro 19, 2010

Sem você, houve mudança no sentido da arte





O que seriam?
Sem você, de que valeriam?
As lendas, doutrinas, os mitos e os vinhos
Filosofias e políticas, os muros e vizinhos


O que seriam dos versos?
E as batalhas épicas, o que seriam?
Os poetas e trovadores, o que diriam?
De que valem registros e estatísticas?


O que seria da Renascença?
O Expressionismo, o que seria?
O Cubismo não faz mais sentido
Por tua ausência, sinto-me preenchido


No Impressionismo não encontrei explicação
Como um auto-retrato que respira
Nem Van Gogh e nem Monet me inspiram
A sensação de perda deturpa todo fascínio que sentia


Os poemas são rascunhos e as orações estão a vagar
Trazendo a tona desilusão no olhar
Você partiu, tomou a decisão, tentei refutar
Exigiu o meu consentimento, a separação, não pude contraditar

domingo, novembro 14, 2010

Despida, atrás do volante



Embriagado, enfim...
... Lhe encontrei, garotinha!
E antes que a chuva caia serás minha
Façamos, então, o que havíamos combinado



Essa noite, você dirige e eu vou ao lado
Estamos nas mãos do destino e
Numa bandeja, entrego-me a ti, como um prato refinado
Você está atrás do volante e não me importo de ser saboreado



Despida sobre o banco de couro, conduz ao volante o meu veículo
Somos almas inconstantes, desapareceremos juntos através da chuva fria
Nessa metrópole só usufruímos o descobrimento de novos temperos
Respiramos o ar necessário, transformamo-nos em vultos dia-a-dia



Pelo pára-brisa percebo-a chorando, enquanto batem os insetos
Durante o trajeto, titubeia, há muitas dúvidas em suas manobras
Privilégio de tê-la deixado conduzir-me após a troca de insultos
E, ao seu lado o tempo todo, acompanho extasiado e perplexo o seu triste e desbotado reflexo. 




*Baseado em “Behind the Whell” e “Stripped” canções 
do Depeche Mode.