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sexta-feira, maio 21, 2010

Vou para a Terra de Van Diemen




Abrace-me, estamos perto do cais
Um longo abraço de despedida nessas ruas escuras
Efemeramente infinito e tão intenso
Como a brasa que dissipa o incenso


Momentaneamente me concentro
Na picada da agulha gasta
Faz-me soletrar: G-L-O-R-I-A
Num ritual que perfura-me a carapaça


Quando a maré subir e a febre baixar
Irei embora, e o templo visitarei
Lá precisam-se de muitas mãos para a reconstrução
Para a Terra de Van Diemen, rumarei


Aqui, todos os dias, comprimidos amargos, eu engulo
Acertei as contas com o Senhorio
Deixe-me ir, encontrar o que procuro
Abandonei o peso da pistola e sinto-me seguro


Você acompanhou todos os meus estágios
Conheceu-me muito jovem
Era astuto, aspirante, sonhador e metido em confusões
Sabes o que lhe digo, pois reconhece todas as minhas hesitações


Os que vieram de lá, disseram-me que há oportunidades
Há lucro, há amor e não se vê indiferença nem vaidade
Face a face com a justiça, encontrar-me-ei
E com a ajuda do magistrado, da dor, libertar-me-ei


Não titubearei, ouça, portanto meu desejo:
Antes da partida, abrace-me
Até essa hora acabar e com seu toque me elevar
E, nas terras altas de Van Diemen meu veredicto encontrar.


*Baseado na canção: 
Van Diemen’s Land do U2 
(Rattle and Hum, 1988).

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

New York Dolls: os pioneiros do punk




O som punk teve sua certidão de nascimento carimbada na Inglaterra com os Sex Pistols e o lançamento do álbum: 'Nevermind on the bollocks' em 1977, mas o protótipo do estilo foi levado para a “Ilha da Rainha” por Malcolm McLaren que ‘gerenciou’ por breve período o New York Dolls, originária de New York e apoderou-se do conceito protopunk que a banda desenvolveu com a Factory de Andy Warhol.

Os críticos os chamavam de “caricaturas dos Rolling Stones” porém, todos concordavam que David Johansen e Johnny Thunders faziam um som cru e poderoso, como: Human Being, Frankenstein e Trash que narram cenários urbanos grotescos e desesperadores, além de conflitos amorosos ácidos e intempestivos, que mantinham de certa forma, a chama do Velvet Underground acesa.


Assim como os Dolls, os Pistols também adotaram uma tendência auto-destrutiva e ambas tiveram um início efêmero e avassalador. Esse conceito, McLaren levou ao pé da letra. Os Dolls, nem tanto.

No período 1973-74, o New York Dolls lançou dois albuns:
New York Dolls e Too Much Too Soon, sendo que, o “homônimo”, figura nas listas dos melhores pela crítica especializada, quando se trata de rock punk e glam-rock.

A banda reúne-se oportunamente e lança álbuns mesmo entre turbulências, separações, desavenças e troca de membros.
Eles possuem uma boa discografia que percorre três décadas.
Nos anos 80: Lipstick Killers - The Mercer Street Sessions 1972’ e Red Patent Leather1, e nos 90’s: ‘Seven Day Weekend’, ‘Paris Le Trash’, ‘Live In Concert, Paris 1974’.


Nessa década, respirando o século XXI: ‘From Paris With Love (L.U.V.)’ eManhattan Mayhem’.
Uma reunião em 2006 trouxe o álbum: ‘One Day It Will Please Us To Remember Even This’ e em 2009, chegou as lojas: ‘Cause I Sez So’.
Desde 2006, Sami Yaffa, que tocou com Johnny Thunders, assumiu o contra-baixo da banda.
Em trinta e sete anos de carreira, onze integrantes passaram pelo New York Dolls.


*Fontes:
  • Dimery, Robert ‘1001 discos para ouvir antes de morrer’

  • Wikipédia

Frankenstein: New York Dolls


Fonte: Youtube

quarta-feira, setembro 09, 2009

Hepitáfio, o barqueiro



I

Para se sentir grande exagerava como o rio
Moroso, em direção ao mar...
Lembra-te quando ao meu lado se sentavas?
Soltavas minha mão nua e descansava sob a lua
Tocávamos o chão e víamos o rio...
Passar lentamente, silencioso e profundo
Para cada lua um lago a refleti-la
Uma praça colorida, outra rua...
Aonde íamos? 
Vagamente, me recordo
Quando gozávamos em alarido
Cobríamos-nos de folhas, coroava-te com rosas
Achavas-me destemido!


II
Naquela travessia tênue, Hepitáfio era o condutor
Silencioso como o grande rio, só contemplava o nosso amor
Pela razão nos servia, cedia-nos sua embarcação
Desvie-nos dos pântanos, conduza-nos às vinícolas
Acalente nossos prantos, faça-nos esquecer da vida!
Beber várias taças de nosso vinho preferido
Na batalha final derradeira e mortal
Fostes heroína!
Adeus querida Matilde sucumbiste sem fraquejar!
Sempre serás minha, minha intrépida menina 
Denodada a ousar, quantos anjos ainda irá fascinar?

III

Nas brumas celestes encontraste conforto?
Onde dormes? Estás à beira da piscina?
Agasalhaste seu espírito sob o linho nobre?
Ou retornaste a terra?
Nisso nunca acreditaste, nem eu pude acreditar
Nossa doutrina era falha!
Não te quero acima de Prometheu...
Nem abaixo, nem maior e nem menor do que eu
Do que outros novos deuses de cobre!
Fico com as melhores memórias...
De nossa vida incerta repleta de joios e glórias!


IV

Nutra a triste terra que espera a semente
Pacientemente, conheça o Olimpo novamente
Certamente, percebi um choro vaporoso
Ardente, temeroso, lágrima quente
Não toca o solo, Hepitáfio consolador dos descontentes
Outras plateias o verão no cadafalso, sorridentes
Subterfúgio, digressão; por opção vive na mais profunda solidão
Abro os olhos e deixo um recado aos que, em breve, partirão...
Vai-se a matéria... Ficam as idéias como forma de consolação!
Consolação d'alma, nossas almas, das almas que, para sempre às margens do rio, ficarão.






                                        

 *Baseado em textos de Fernando Pessoa. 
         R.I.P. Matilde "Mother" James.

terça-feira, junho 09, 2009

Epitáfio (antes da hora) de Lou James





"O que fui, não representa mais o que sou.
Foi-se a matéria, ficam as idéias"
(Marciano James)