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sexta-feira, novembro 19, 2010

Sem você, houve mudança no sentido da arte





O que seriam?
Sem você, de que valeriam?
As lendas, doutrinas, os mitos e os vinhos
Filosofias e políticas, os muros e vizinhos


O que seriam dos versos?
E as batalhas épicas, o que seriam?
Os poetas e trovadores, o que diriam?
De que valem registros e estatísticas?


O que seria da Renascença?
O Expressionismo, o que seria?
O Cubismo não faz mais sentido
Por tua ausência, sinto-me preenchido


No Impressionismo não encontrei explicação
Como um auto-retrato que respira
Nem Van Gogh e nem Monet me inspiram
A sensação de perda deturpa todo fascínio que sentia


Os poemas são rascunhos e as orações estão a vagar
Trazendo a tona desilusão no olhar
Você partiu, tomou a decisão, tentei refutar
Exigiu o meu consentimento, a separação, não pude contraditar

terça-feira, junho 02, 2009

Mutilando a orelha de Van Gogh





Ceara com corvos ou Corvos no campo de trigo. 
(1890)


Esses espectros ao meu redor
Noite e dia me fascinam
E a emanação profunda d'alma
Lamenta inconsolável minha sina.





E nós vagamos
E nos lamentamos
Num abismo sem fronteiras
Pinto meu quarto e minhas cadeiras.





Acompanho o vento no campo
E os trigos vem e vão
Ao meu lado sobrevoam os corvos
Corvos negros como a escuridão.





Eles pressentem os meus passos
E reconhecem os meus caminhos
Precisos retratá-los...
Pelas frestas do moinho.





Corvos grasnam com intenção de...
São inteiramente maus?
Eu não sei
Mas, estão vindo em minha direção.





Mutilando a orelha de Van Gogh
Meu Deus como pode?
São inteiramente maus?
Eu não sei.





Os corvos me mutilam
E depois se retiram
São inteiramente maus?
Eu não sei...





*Baseado em "Conflito do Espectro e Emanação": W. Blake.
*No dia 23/12/1888 o pintor 
Vincent Van Gogh cortou um pedaço de sua orelha.