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terça-feira, maio 03, 2011

Eu sou tão criança



Escondo-me sob as chamas, tornar-me-ei cinzas? Inflama-me a alma; queimo-me em seus braços. Quentes e neles, meu mundo se fecha. Confundi a sua voz, afligido por. E ela, virando-se me disse: Conscientemente, é um adeus?

Em minha mente, ainda sou um garoto. Um velho garoto que insiste em permanecer. Assim, doce e triste, vamos brincar... Sou lúdico e esse é o poder dentro de mim. E ela, virando-se me disse: Você tem plena certeza disso?

Perdoe-me por não crescer. Poderei fenecer usando as mesmas roupas gastas. Hoje, eu só queria um dia completamente diferente. Sem contas, sem obrigações e responsabilidades. E ela, virando-se me disse: Quer tocar meu instrumento e gravar um novo álbum?

Vamos implorar por um dia bem cinzento. E inaugurar uma nova vida úmida. Sem precisarmos nos salvar um do outro. Apenas libertamo-nos e deixamos acontecer. E ela, virando-se me disse: Sem fraquezas à flor da pele?

Eu... Eu sou tão criança. Mas, meus cabelos estão caindo. Feito folhas no outono. Estão caindo, já não há esperanças. E ela, virando-se me disse: E minhas lágrimas, estão caindo?













*A Antony Hegarty.



sábado, abril 09, 2011

Ao pintor das cores puras



Você entra atirando e faz as perguntas depois. Ao homem que roubou seus proventos e sua água fria. E você o ameaça com desdém... ... Finge botar fogo em seu armazém


Mas eles o pegaram no ato sarcástico. Enquanto cantava a fim de encerrar o fato. E, desde então, ouvimos o seu lamento trágico. Chafurdando a cara e se arrastando na lama da vergonha



Degas, faça novamente Dreyfus confessar-nos a traição. Estranho, somente os pés dele permanecem limpos. E, por eles, o carrasco o suspenderá do chão. Até que chegue a vez de outro terminar dentro do nó. Confessar-nos-á suas traições na cidade ou no campo de batalhas?




Foi ele quem fez as rodas que giram e giram, pararem de girar? Quando você soube que ele não foi nenhum notável escalador? Diga-nos Degas, ele é realmente o tal sabotador? Então, você acha um único amigo entre vários impressionistas?



No seu quarto, com seus pincéis e cavaletes a saborear seu Absinto.
A observar a “pequena bailarina de 14 anos”, “as bailarinas na barra”. E você está certo quando afirma-nos que o fim está próximo. Mais do que imagina; porque desdenha desse pequeno selvagem?


Tudo que ele traz só remete-nos a tristeza e seu bronzeado nos deixa desconcertados. Todo o tempo você sabia que ele estava sorrindo e de onde ele vinha... O sorriso da ignorância o fará cair de joelhos quando contarmos aos parisienses que ele é ameríndio. Agora você jura, blasfema, nos implora com cinismo



Que não é um homem desonesto jogando xadrez. Então você acha que não se casar é interessante? Degas, sua visão está tão comprometida, não obstante... ... Acredita que suas esculturas podem lhe trazer dinheiro? Assim você as mostrará quando for capaz e ir à Nova York em busca de aventuras, leite e mel. E você as colocará na mesa, expostas como um “nu na banheira”. Para que a vunerabilidade feminina nunca mais seja vista da mesma maneira.




*A Edgar Degas (19/07/1834 - 27/09/1917)
Pintor e escultor francês.

domingo, abril 03, 2011

Com o amor não se brinca






Você incendiou o meu mundo. Dizendo-me que poderia me tirar da solidão. Resgatar-me do fundo... Daquele poço; nunca havia conhecido uma pessoa assim. Tão decidida, tão carinhosa e tão cheia de intenções



Segundas tolas e rotineiras, tornava-as inesquecíveis para mim. Os ponteiros giravam e nós extraíamos o máximo um do outro. Tinha o controle da situação, dizia para mim mesma que não iria me apaixonar, apenas curtir suas provocações. Só iríamos jogar um jogo perverso com inúmeras concessões. Um jogo em que ambos entramos sabendo as regras e demo-nos liberdade às amplas movimentações



Além de conhecermos muito bem as possibilidades de jogadas, as permissões. Das peças; passei a sonhar com você e acho que isso também aconteceu contigo. Às pressas, sua face e gestos mudaram, os seus modos de cavalheiro se deturparam em performances teatrais. Não fui a culpada e nem foi culpa sua; contracenamos num roteiro feito pelo destino . E seu comportamento só encontrava a pulsão satisfatória...



... Quando introduzia objetos e falas inadequadas a conjuntura que eu permitia. Redescobri que, nesse mundo só há flertes e superficialidades, desatinos. Ninguém ama ninguém e não queríamos nos apaixonar. É a famosa situação “sobre controle” que o sentimento nos desafia... Faz questão de desafiar-nos dia após dia, nos dando migalhas afetivas e roubando nossa pouca alegria.


*Baseado em: “Wicked Game”, canção de Chris Isaak.

sábado, janeiro 01, 2011

Heterônimo

"Subamos, subamos acima, subamos além
Acima do além, subamos"
(Vinícius de Moraes)



Dê ao autor novos livros
Outra alma erradia, axiomas
Temas múltiplos, distinta biografia


Faculta-lhe novas linhas
Antagonismos milimétricos
Demonstrações de teorias
Desobediência, outro olhar, heresia?


Incertezas ou irresoluções
Fazem-me hesitar, me trazem mutações
Sem convenções, num reflexo
Perplexo, observo Lou James, na sala de estar


Vigio as próprias ações, lendo-o
Não obstante, preservo confusões, sendo-o
Obsesso, atormentado, expresso dúvidas, tendo-o
Encanto-me e me hesito em preocupações, vendo-o


Com tenacidade, pelo espelho, desvio o leitor
Teimosia, obscuridade e existencialismo
Num efêmero pudor, Pessoa, Brecht e Quintana
Clarice, Sartre, Kafka entre pesadelos e muita dor


Pouco claro, sem nobreza puritana
Na caneta esferográfica mapeando a perda
Anulando as evidências herméticas
Enfraquecendo a luz com destreza cética


Espectador e testemunha que não tenta agradar
Rejeito o diagnóstico incerto do Doutor
Em letras, convenço-me e não me permito doar
Volto indisposto, para o desabrigo do meu lar
Outro foco, outra encenação e um defectível paladar


Obsedo e preocupo-me com o amor
Sou coagido pela própria intenção
Domínio do espírito, cárcere por afeição?
Comigo mesmo, mas não me permito
Em habitar essa física prisão


Salve-me obreira, dê-me a privação
Senão, tornar-me-ei profano por causa dos Românticos
Ceda-me seu tempo, mostre-me suas anotações
Apresente-me a obra perfeita, afasta-me o obscurantismo
Ainda estamos no primeiro dia do ano, enfraqueça-me o cinismo


Vício que aparenta virtude e faz-nos perder em sedução
Superficial, aprendo a nutrir um sentimento que não possuo
Fingimento, falsa devoção, altruísmo artificial?
Não, nenhum deles, só fraqueza aparente
Afinal, tentei ser crente, passei a conhecer o meu ponto de inserção
Ter fé e esperança e identificar a linha tênue entre o terreno e o sobrenatural.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Sei que seu mundo está ruindo





Faz um calor infernal e tenho cãibras na perna esquerda
Ah, essas cãibras... Um dia me mato por causa delas
O bruxismo me corrói e estou encharcado de café e Fausto Wolff
Porque um sonho nunca é só um sonho, nem um livro é só um livro?
Porque tive que descobrir toda a verdade da vida naquele romance de 1978?





Mataram o cantor e chamaram um garçom...
E ele se aproxima da mesa, no colarinho uma borboleta preta
Espero que uma overdose de potássio venha aliviar todo esse desespero
Viro para ele e peço sem cerimônias: Uma cachaça e outra cerveja!
Nada é-nos eterno, muito menos as câimbras e tão pouco meu pedido efêmero





Só aquele olhar vazio do garçom nunca mais sairá dos meus pensamentos
Vou mergulhar nas profundezas e beijar a boca do meu medo
Sei que sou capaz, apesar da escuridão, irei tateando para encontrar
Encontrar o rosto do meu medo e apertar-lhe o pescoço
Isso é o que me traz esperança, alivia-me o desgosto





A próxima contração virá...
... Ainda mais forte que a anterior?
Quebrar-me-á os ossos?
Senhor... Ajude-me!
Precisas saber o meu nome, de onde eu vim, quais charutos aprecio?





Nada disso... Só preciso manter a calma
Uma calma interior de quem se aperfeiçoou em caçar borboletas
Sim, um caçador com alma de diretor de cinema...
... Mas não busco borboletas, estou fora de cena
Não sou como Kubrick, sou um apostador de roletas





Estou de olhos bem abertos
Dê-me um sedativo, esvazie a garrafa e depois me mande embora!
Sinto a presença do anjo e penso na morte
Quando percebo o anjo sei que ela está por perto
Então, vou celebrar a existência levantando o meu copo





Por quanto tempo poderei celebrar?
A chegada do verão, o aumento da temperatura, a qualidade da cerveja...
Nesse boteco de esquina que não vende tintos secos
A cerveja e Schopenhauer são minhas únicas soluções
Soluções que me fizeram descobrir que jogava o jogo de maneira equivocada





Besuntado em suor e precisando de um banho, celebro os limites da natureza
Pois, com certeza... Ah, pobre garçom de olhar vazio!
Noutro dia, o inverno irá recomeçar
Não me importa se é sincero ou está mentindo
Sei que seu mundo está ruindo
E, pelas fissuras a água irá penetrar
Em verdade lhe digo:
Quando estiver afogando, ainda sim estarei a lhe admirar.





*Homenagem a Fausto Wolff
pseudônimo de Faustin von Wolffenbüttel, 
Santo Ângelo, 08/07/1940 — 
Rio de Janeiro, 05/09/2008. 
Jornalista e um dos meus escritores preferidos.

sábado, dezembro 11, 2010

Quem vai lamber os selos?



Encha minha taça
Semeie flores
Vamos juntos
Estilhaçar o teto
Esquecer rancores
Assim, ganharemos o Paraíso


E lá... Entre os mortos, teremos regozijo
Combateremos um novo exército
Duma nova base levantaremos
Marcharemos contra os amantes
Sob as ordens do bodegueiro
Derrotá-los-emos meus caros companheiros!


Depois da batalha final, perderemos o juízo
Instrumentos de sopro e cordas tocaremos
Na dança marcial nos perderemos
E todos baterão palmas e cantarão
Uma canção de triunfo, uma canção de vitória
Alguns nascem para lamber selos
Outros para conquistas, honras e glórias.




*Baseado em citações de Hafiz e Jack Kerouak.

sábado, dezembro 04, 2010

Canto para Neruda



"Um quadro só vive para quem o olha."
(P.Neruda.)




... E a amante velou o poeta que
Morreu lentamente por nunca evitar as paixões
Um dia sua voz renascerá?
O seu maior castigo foi ter vivido sem dores
Em pensar que nunca morreria de novo
Desse refúgio não deixou pistas, apenas páginas escritas


Uma prece fez arder meu coração estrelado
Assim me foi ensinado...
... Ao chegar, toque o sino!
Toque o sino e todos saberão
Que um dia sua voz renascerá numa canção
Numa canção de amor prudente, de amor ao povo, de amor à nação


Então, abriste mão da primavera para continuar contemplando o Pacífico
Assim me ensinou: Ao chegar, toque o sino!
Toque o sino e todos saberão
Que o retorno do mar aconteceu outra vez, sem agruras
E tantas outras vezes, como quem se transforma em escravo do hábito, por repetir todos os dias os mesmos trajetos e gestos específicos
Imaginava, consigo mesmo, que só arderia nas alturas?


A esperança lhe abandonou, os versos não
Depois de partir é que percebi que navegava para não deixar rastros
Um Astro? Jamais lhe pouparei o meu olhar, nunca mais permanecerei inerte
Não abandonarei o chapéu que me deste
Comerei o peixe que me servirem, antes...
Deixarei para a posteridade mais um poema sobre os Andes.



*A Pablo Neruda 
(12/10/1904 — 23/09/1973.)

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Fogo e artifício








Crianças... Ouçam crianças!
A voz dos abutres... Vejam!
A cor dos répteis... Sintam!
O cheiro da alcatéia... Sofram!
A indiferença dos humanos... Busquem!
O amor celestial... Morram!



As mulheres da outra margem dizem-lhes:
Antes de morrer... Vivam!
Vivam conosco e esqueçam as mazelas da vida
A noite começa... Venham!
Venham agora, e vivamos todos nessa floresta urbana
Repleta de pântanos, crocodilos e abutres!



Juntos, não tornaremos comida dessas almas mundanas
Nossa união fortalece-nos, como gravetos unidos
Separados somos frágeis... Quebrar-nos-ão!
Facilmente, nos quebrarão na primeira investida
Isso foi-nos dito e repetido
Se, não cumprirmos o plano, nenhuma recompensa celeste nos servirá



Afinal, ao acordarmos, hoje
Por preguiça, desperdiçamos toda a manhã
Não tocou em nossa pele, o calor dos raios solares
Não beijamos o vento, não vencemos a gravidade
Passamos, em vigília, a noite toda atrás da porta
A noite toda... E isso tem um preço físico



Ah, ensolarada vaidade, ensolarada tarde
Até que um dia, far-se-á nublada nossa alvorada
E, acordaremos mais tarde ainda
Tenho certeza que acordaremos, apesar de, tarde
O Sol, entre nuvens não abrirá a passagem
As portas também não se abrirão



Tenho dúvidas... Abri-las-emos?
Do lado de dentro, há possibilidade de fortalecer o amor?
Amar, e amar em dois tempos?
Distintos... Amar como antes?
Como nunca antes?
Ou simplesmente amar...




*Conhece a lenda de Prometheu?

sexta-feira, novembro 19, 2010

Sem você, houve mudança no sentido da arte





O que seriam?
Sem você, de que valeriam?
As lendas, doutrinas, os mitos e os vinhos
Filosofias e políticas, os muros e vizinhos


O que seriam dos versos?
E as batalhas épicas, o que seriam?
Os poetas e trovadores, o que diriam?
De que valem registros e estatísticas?


O que seria da Renascença?
O Expressionismo, o que seria?
O Cubismo não faz mais sentido
Por tua ausência, sinto-me preenchido


No Impressionismo não encontrei explicação
Como um auto-retrato que respira
Nem Van Gogh e nem Monet me inspiram
A sensação de perda deturpa todo fascínio que sentia


Os poemas são rascunhos e as orações estão a vagar
Trazendo a tona desilusão no olhar
Você partiu, tomou a decisão, tentei refutar
Exigiu o meu consentimento, a separação, não pude contraditar

terça-feira, novembro 09, 2010

Reduzir ao silêncio


"Quando não há riscos na luta,
                                                               Não há glória no triunfo"
                                                       (Pierre Corneille: El Cid, 1637)
  




Perdi-te atrás da máscara
A amnésia me ajudou a te esquecer
Apesar de continuar sendo quem tu és
No crepúsculo vespertino lembro-me do teu cantar fenecer


Jamais matarei a melhor amiga de minh’ alma
Mesmo que meu destino se torne imensamente funâmbulo
O temor e seu canto burlesco, desafinado
Só ele, é capaz de me elevar, só ele


Descubro o significado e perco a descoberta
Logo em seguida por todos os dias
Também esqueço as batalhas, as derrotas
E os triunfos e salvas eu esqueço


Quando o espetáculo termina, estarrecido
Encerram-se o fascínio e as maravilhas pirotécnicas
E pelas regras do nosso jogo desconhecido
Fui eliminado por quem me havia recebido


Desde então, adentro-me ao profundo “Eu”
E percebo, na presença do silêncio, fui concebido
Já não há suavidade, a onicofagia me acometeu


No inconstante mundo rumoroso
Minhas unhas estão curtas e sujas
Como as de Prometheu.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Massa encefálica (Delirium tremes)



“Ele está dormindo, mas, 
se falar sua língua, poderá acordá-lo”






Os tempos estão difíceis
Procuro novas fórmulas, indícios
De entreter-me a contento
Não deixando-lhe meus resquícios




Maus, diversão econômica, complemento
A qualquer instante, de...
Tentarei dormir agora, se
Tiver pesadelos, cólicas, eh




Vários deles
Girando em órbita
Tonteia-me
Antes de te...






... Comerei grandes lagostas e arroz
Feijão preto, leite e bicarbonato depois
Na cabeceira, a espera de
Um conto de terror de Lovecraft, que






Quando trouxer a sensação, me
Tal qual a ansiedade produz
Ouvirei o aumento da pulsação
De olhos fechados, apagarei a luz






E, no escuro, abri-los-ei
Mas, a claridade das ruas perturba-me
Inquieto, fico aguardando a visita da febre
Cabe a ela, orvalhar o colchão, vê






Midiática, ela desce ao porão
Confere as trancas, apaga as velas
Descobre o fantasma, um espectro que se revelou
E não se importa que tudo se acabe justamente onde começou.




*A H.P. Lovecraft
(20/08/1890 - 15/03/1937).

domingo, outubro 24, 2010

Fossas nasais



Desde o infortúnio que o acometera
Acordava todas as manhãs, sempre as dez
Sentindo um enorme desconsolo, aumentava-lhe as olheiras
Por um desconforto estético que jamais esquecera
Tornara-se criatura amorfa, e toda sociedade podia vê-la



Aventuras raras acontecem nesse mundo malfadado
São pouquíssimas, mas acontecem
E quando longe nos passam despercebidas
Admito, é uma estranha narrativa essa de se perder o nariz
Incoerente? Todos os fatos podem ser considerados?
São mínimos e nada acrescentarão além do já sabido



Ao contrário
Como as farsas
Que são atraentes
Por serem tão frequentes
Absurdas e inquietantes


. . .


Olhou para o espelho e percebeu seu nariz
Estava intacto e ele o apalpou
Lançando-lhe água em abundância
De alívio, então, suspirou
O pesadelo acabou e não havia sequer cicatrizes



Por um instante, esquecera todo o tormento que passara
Espremeu uma acne antiga, desde a época do sumiço
Estava lá, intacta...
... Por onde quer que andara
Fizera permanecer aquela afecção cutânea de volta à cara



Muito estranha... Inverossímil e surreal
Também não há como rimá-la
Talvez a mais estranha estória envolvendo moral e ética
Sou incapaz de entendê-la
Fato esse acometido nas longínquas plagas soviéticas



De tão hermética, perdeu-se em densa nuvem
Tente então, leitor, desvendá-la
O nariz do Major Kovaliov
Passeou entre nós, disfarçado
Por algumas semanas, de Conselheiro do Estado



E, como se nada tivesse acontecido
Num súbito gesto ocorrido, foi e voltou
O reencontrou e se reacoplaram despercebidos
Era sete de abril em mais um dia frio e nublado
E, esse fato, se espalhou como lenda pelos arredores de Stalingrado.




*Baseado em: “O Nariz”, conto de 
Nicolai Gogol (1809 – 1952).