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quarta-feira, junho 23, 2010

A maldição do lobisomem






Mesmo que tenha um coração puro
E faça suas orações antes de dormir
Posso lhe garantir...


... Tornar-se-á lobo, o homem
Quando a lua de outono brilhar
E a mata-lobos vier a desabrochar



*Poema baseado no diálogo entre Larry Talbot e Gwen Conliffe, no filme: “The Wolf Man”. Direção: George Waggner (1941).

terça-feira, junho 15, 2010

A beira do abismo





Durma comigo, à beira do abismo
Sem cinismos trago-lhe a maré
Tenha fé, às margens do túmulo preparado
Por mim; quebrados foram os sacros objetos


Antes, faça deles uso profano, enfim...
Entre excrementos e dejetos, ervas e enganos
Galhos, árvores vivas, mas secas; não há definidas estações
Extinguiu-se o Sol desse hemisfério e os verões; mistério?


A Lua está morta, órbitas insanas; constatações
Nuvens se desintegraram entre fumaças negras
Fome que mata e mata aos poucos, estabelece-se a verdade
Cidades que se odeiam e criam porcos em varas, por vaidade


Nos jardins do poder cultivam-se ambições psicóticas; dissociadas searas
Terras secas, rios turvos e disciplinantes raivas
Afrouxam-lhes os dentes, lhes inflamam as gengivas
Extinguem-se as assembléias por dispersão dos membros


Corrupção, depravação e devassidão, açucares e cáries
Corpos de inimigos e hostes tornam-se poeira na desoladora paisagem
Enquanto as almas ardem nas chamas das fogueiras
Espectros surgem arrastando-os para a beira...
Do abismo que dormimos juntos, à margem.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Os preparativos só trouxeram-me aflições




I

Depois que tirei os óculos
Passei a enxergar melhor o seu mundo
A miopia redimiu meu presente, abandonei-a.


II

Como o sol extravia as trevas
Senti medo e renunciei minha máscara
Então, em desencanto, faleci às vésperas.


III

De todas as preocupações que tive
Montar sua fantasia foi a maior pretensão
Cosi tuas vestes em linhas de desilusão.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Em breve, terei um pai




I

Termino de montar meu pai
Braços mecânicos, olho de vidro, um alguém
Estou construindo meu pai Frankenstein.


II

Sinto-me triste, mas é breve
Mais triste do que eu, ele vem
Eu o tenho, ele ninguém.



*Baseado no filme: O cheiro do ralo
Direção: Heitor Dhalia (2007).

sexta-feira, agosto 07, 2009

A verdadeira realidade só se encontra nos sonhos artificiais





A irmã,
Chama-se
Mater Suspiriorum
Opta por incursões sobre o tempo...




Interage com sua solidão
Olhos nunca meigos
Não se descobre neles
Nenhuma história obtusa




Turbante em frangalhos
Somente massa confusa
Cai constantemente, não chora
Tropeços ignora




Vez em quando, suspira
Olha
Por vezes,
Entre os pobres, labora




Muta-se, na embriaguez
Delira contra o céu, treme
Reclama dos bem-amados
Geme




Esperança opaca,
Murmura entre multidões
E, em locais solitários,
Desilusões




Não ilumina o isolamento
Estaca
A dor cardiocrônica
Aplaca, contentamento




Sua cidade, Paris
Foi arruinada, talvez
Pobre senhora infeliz
Inocente a insensatez




Na hora do brinde
Quebrada teve
Sua taça, sua índole
Choque absorto
Ao chão, escorria seu vinho do Porto.





*Homenagem ao poeta que conheceu todos os
"Paraísos Artificiais" da Terra e das regiões celestiais.