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terça-feira, maio 31, 2011

Por esses dias estive me procurando




“Na sabedoria está a dor
Aquele que aumenta seu saber aumenta sua dor.”
(Eclesiastes 1: 18)


Haverá alguém que possa cuidar
Cuidar tão bem de mim
Quando eu, enfim...
... Morrer?

Alguém que possa me libertar
Libertar de toda essa encenação
Que é a...
... Vida?

Cuidadosamente alguém
Que vá todas as noites
Preparar a cama para que eu...
... Descanse?

Solidão para mim
É como estar livre das amarras sociais
Ficar interpretando e interagindo
Com os mesmos e eternos velhos casais?

Atrocidades fizeram nossa estória
Depois das lágrimas no crepúsculo
Só nos resta brindar as derrotas
Há glória nas derrotas?

Deus, então...
... No alto de sua benevolência
Percebe uma chama em meus olhos
Ele a conduzirá ao meu coração?

Eu renascerei
Tenho certeza que renascerei
Por esses dias estive me procurando...
... Ontem?


*Homenagem a Antony and the Johnsons.

terça-feira, maio 03, 2011

Eu sou tão criança



Escondo-me sob as chamas, tornar-me-ei cinzas? Inflama-me a alma; queimo-me em seus braços. Quentes e neles, meu mundo se fecha. Confundi a sua voz, afligido por. E ela, virando-se me disse: Conscientemente, é um adeus?

Em minha mente, ainda sou um garoto. Um velho garoto que insiste em permanecer. Assim, doce e triste, vamos brincar... Sou lúdico e esse é o poder dentro de mim. E ela, virando-se me disse: Você tem plena certeza disso?

Perdoe-me por não crescer. Poderei fenecer usando as mesmas roupas gastas. Hoje, eu só queria um dia completamente diferente. Sem contas, sem obrigações e responsabilidades. E ela, virando-se me disse: Quer tocar meu instrumento e gravar um novo álbum?

Vamos implorar por um dia bem cinzento. E inaugurar uma nova vida úmida. Sem precisarmos nos salvar um do outro. Apenas libertamo-nos e deixamos acontecer. E ela, virando-se me disse: Sem fraquezas à flor da pele?

Eu... Eu sou tão criança. Mas, meus cabelos estão caindo. Feito folhas no outono. Estão caindo, já não há esperanças. E ela, virando-se me disse: E minhas lágrimas, estão caindo?













*A Antony Hegarty.



quarta-feira, janeiro 12, 2011

Tão frio como o olhar de Candy Darling




Antes da parada fulminante, pensei:
Se eu morrer agora, quem cuidará de meus quadros?
Quem apagará os meus rastros?
Quem eliminará todos os ratos?


Os mesmos ratos que, por anos
Frequentaram minha casa e cearam comigo
Tomaram meu vinho, comeram meu queijo e me abandonaram pelo caminho
Eis que, uma dor aguda tomou o meu corpo e passou...


... Morrer não é tão doloroso, afinal
E, vejo novamente os ratos que voltaram...
... Estão todos aqui me olhando e participando solenemente do meu funeral
Agora, sou um espírito


Sinto-me como tal
Leve, como um sonho livre e concluo
Que, por muito tempo fui uma realidade congelada
Como o olhar de Candy Darling naquela capa de 2005


Mas, pelo menos durante algum tempo, com afinco
Havia espaço para contestações e curiosidades
Minha vida sempre foi de questionamentos e pertinácia
Não agradar a primeira vista era minha eficácia


De pé, no cemitério, ouvindo o cantar de um único pássaro
Vejo as pessoas especializadas me enterrarem
Com certeza foram pagas para esse serviço
E, já estão totalmente acostumadas com isso


É uma manhã nublada e brilhante
Nunca tinha visto uma assim antes
E, sinto-me tão livre como a luz; vou agora...
Caminhando pela via que me conduzirá


A tão aguardada região celestial
Finalmente, agradeço a Deus, abandonei o meu corpo... 
De maneira natural e, não há mais 
Aquela velha e imunda forma carnal.


Homenagem a Antony and the Johnsons e o álbum
"I Am A Bird Now" (2005).