Mostrando postagens com marcador Poesias de Lou James. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesias de Lou James. Mostrar todas as postagens

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Rua Aurora, 69


Próximo à República, trabalho
Não discrimino, não tenho fobias nem preconceito, trabalho
O que me faz fazer isso?
Trabalho... Na Aurora, todas as noites, trabalho


Sinceramente, sou bonita sem maquiagem?
Sou divertida quando eu faço uma tirada?
Você me entende e me quer, então eu te quero
Antes de me conhecer, já buscava o que eu tinha para lhe oferecer


O lance evoluiu, você me trouxe o que eu buscava, em seu bolso
Da frente, nessa noite, outubro quente
Sem chuva, você será meu namorado por 45 minutos
Até o fim, eu serei sua, sem arrependimentos, só amor programado


Nós podemos transar até morrermos, lado a lado
Voltaremos à juventude, caminharemos abobados
Assim seremos jovens, rolando nesse gramado imaginário?


De novo, você me fez cair em um sonho adolescente
Prepotente, eu fico tão excitada que não conseguirei dormir, essa noite
Sendo-me tão excitante, fica um pouco mais caro, devo-lhe admitir, sorridente


Complacente, você me paga...
E voltará, em breve, novamente

quinta-feira, agosto 04, 2011

Quatro de agosto de mil novecentos e noventa e quatro


“Got to the driver of my car, past the dogs and past the guards
Past all my alarms
Supposed to be so state of the art
You penetrate my radar
Drop a bone in my backyard”
(Morphine)

Fui posto em seu jogo de xadrez
Naquela derradeira partida entre nós três  
Útil, muito útil para todos vocês...
... Que manipulam as peças alinhadas
E, determinam quem vai à frente em disparada

Quem segue adiante, por um instante...
Provocadas, quais se movimentam na diagonal?
Ou, em movimentos paralelos precisos?
Num estado antagônico à criação artística, indecisas
Você está sendo captada pelo radar que monitoro
Agora, ouça-me, lhe imploro!

Você me disse:
Xeque-mate!
Depois disso, confirmou que me tinha há mais de um ano
E, sei que é um blefe, apesar de confirmar que eu era seu
Antes do arremate final
Negou tudo aquilo que me prometeu

No embate, durante tantos rounds, não fui a nocaute
Por instinto, ouvi dos rádio-taxis, que não era eu em quatro de agosto de mil...
... Mil novecentos e noventa e quatro
Pressinto algo sobre as provas que levantou
Não há testemunhas, tenho um álibi que lhe confirma quem...
Quem realmente eu sou.



*Baseado em “Radar”, Morphine.


Fonte: Youtube


terça-feira, maio 31, 2011

Por esses dias estive me procurando




“Na sabedoria está a dor
Aquele que aumenta seu saber aumenta sua dor.”
(Eclesiastes 1: 18)


Haverá alguém que possa cuidar
Cuidar tão bem de mim
Quando eu, enfim...
... Morrer?

Alguém que possa me libertar
Libertar de toda essa encenação
Que é a...
... Vida?

Cuidadosamente alguém
Que vá todas as noites
Preparar a cama para que eu...
... Descanse?

Solidão para mim
É como estar livre das amarras sociais
Ficar interpretando e interagindo
Com os mesmos e eternos velhos casais?

Atrocidades fizeram nossa estória
Depois das lágrimas no crepúsculo
Só nos resta brindar as derrotas
Há glória nas derrotas?

Deus, então...
... No alto de sua benevolência
Percebe uma chama em meus olhos
Ele a conduzirá ao meu coração?

Eu renascerei
Tenho certeza que renascerei
Por esses dias estive me procurando...
... Ontem?


*Homenagem a Antony and the Johnsons.

terça-feira, maio 18, 2010

E agora J.C.?









E agora J.C.?
A festa começou
E ela será infinita
Seu carro na madrugada
A noite toda precipita


Para todo o sempre
Roda, roda, roda...
Com a moça fantasma, roda
Branca e fria, roda até as 6h30
Só ao crepúsculo matutino, encerra


E seu motor quente esfriará
Durante o dia, arrefecerá
Para as 18h30 recomeçar
Se aquecer, inebriar...
Todo o combustível esbanjar


E agora J.C., velará o inocente?
Éramos carne quente, hoje, complacentes, somos pó
Pó de quem morreu antes, histrião demente
Neste falso dia, estamos sós completamente
Você está na reserva, nauseante, inconsciente


O carcereiro foi para a prisão
Para que servem os filhos?
Suplício, martírio, desilusão?
Hodierno, não sabe o que fazer?
Também não vou te iludir
Mudo, ajoelhe-se no púlpito, peça perdão e vá dormir.

sexta-feira, abril 09, 2010

R.I.P. Duck (a Malcolm McLaren)



Articulador e criativo
Mentor intelectual dos Sex Pistols
Trouxeste, de Nova York, uma estética, um conceito
Minimalismo puro num disco de rock perfeito


Um, dois, três acordes: “Punk não é anarquia”
Carregando a sensação de que sempre foi traído pela “Britânica Monarquia”
Autodestruição; perderam o controle de um monstro que crescia
Levava-se muito à sério e se permitia ironizar em toda situação


Antropofagia para ouvir: “Buffalo Gals” e som dos últimos pregos na tampa do caixão
Atacava os tecidos de proteção da maioria dos órgãos internos e nos ‘Jeans’ só nos vendia a corrosão
Fostes predador, roubava o que podia
Além de idéias, fotografias, conceitos, instrumentos e ideologias


Desenvolveste a liberdade criativa autofágica; democracia em catarse
Purificava espectadores num efeito intencional
Em forma de representação dramática contabilizando palcos destruídos
Conduzindo os hipnotizados pela tragédia clássica do urbanismo juvenil
Por descargas emocionais e lembranças traumáticas das capas dos discos de vinil


Vivienne Westwood, comparsa, companheira e estilista
Let It Rock & Sex, projetos mútuos e alguns furtos
Scratchs e World Music, mainstream, glamour e insultos
‘New York Dolls’, por um diletante anarquista
As táticas de marketing foram sua estratégia e saída
Choque e controvérsia, sucesso e polêmica na mesma medida


Mas essa idéia comovente
De vê-lo agonizante
É-me muito triste
A mesotelioma é resistente
E ainda insiste!




*Homenagem a Malcolm McLaren 
(22/01/1946 - 08/04/2010).

*Figura pública controversa , Malcolm, em 2000, especulou que se candidataria a prefeitura de Londres. 
Sua plataforma de governo incluiria a legalização da prostituição e a venda de álcool em livrarias.

R.I.P. Malcolm.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

As vésperas do matrimônio








Os convites já estavam na gráfica
E você, enfática e sarcástica
Trouxe-me a notícia trágica

Sorria, envolta em ironia
No cume da autoconfiança
Disse-me ereta: Adeus, acabou!

E, lançando-me sortes, suspirou
A impressão que tive
Não distribui aos convidados

Ficou marcada, como digitais
Nas faces marginais dos dados
Os dias que antecederam ao matrimônio
Calando-me, sobre os ísquios, resignei

Sempre lhe fui poltrão fiel
Mitigava os resquícios da dúvida cruel
Hoje seria o dia, lamento
Ápice da união, o grande momento
A mais nobre e doce expectativa
Transformada no meu maior tormento.



*Baseado em: O cheiro do Ralo, 
romance de Lourenço Mutarelli.

quinta-feira, junho 04, 2009

Quase Nada

"Viu-me, e passou,
Como um filme..."
(Paulo Leminski)





Queria um quase nada
Um mínimo de tudo
Um trecho de um livro
Um cálice de vinho pela metade
Uma canção de 30 segundos.



No fundo, no fundo, queria dissipar esse desespero
Quem sabe a sua presença ou uma rima que conduza o verso
Mas não a encontro, nunca a encontrarei
Basta resignar-me a insignificância dos seres
E quem sabe um dia deleitar-me em prazeres.




*A Paulo Leminski
(24/08/1944 - 07/06/1989).