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sexta-feira, julho 03, 2009

Amor plutônico


"Abyssus abyssum invocat."


Quando a raiva
Dá mais prazer
Do que um beijo
Faça as malas
Desejo...
Rumores são verdades
Verdades inventadas
Realidade adivinhada
Faça as malas
Encruzilhada...
Personagens do ódio
Desagregam amor
Agonia do que já se foi
Rancor...

Entretece e destece
Põe tensão e opressão
Humilha, xinga, fala mal
Foi fatal...

Nesse amor plutônico
Tudo foi em vão
O passado esqueço
Faço questão...
Antagônico à platônico
Não quero aproximação
Quero distanciamento
O futuro é incerto,
Deslocamento...
Desespero e resignação
Sofro e reprimo a tensão
Opressão...

Na hora da partida
Ninguém se olha
Desolação
Faça as malas, então
Sem lágrimas...
Amor plutônico
Acabou,
Estou atônito,
Sem sabor
Ex-amor...


*Marciano James, desesperado... 
Mas ela tinha que partir.

sexta-feira, junho 12, 2009

Minha morta - Retinas Queimadas




Uma vez, amei perdidamente
Porque amamos brevemente?
É estranho ter na mente, uma predileção
No coração, uma única inclinação
Na boca, inteira satisfação

Um nome que pronunciamos como uma prece
Encontrei-a e amei-a em clamor
E vivi em sua ternura, em seus braços, em seu olhar
Nem sabia se era dia ou noite, não havia rancor
Quando retirava seu vestido, quando me envolvia em seu suor

Não vou contar nossa história
O amor só tem uma
E é sempre a mesma, fatal
Em minha mortalha negra
Narrarei seu funeral

Voltou molhada da chuva
E, no dia seguinte tossia, tossia
Tossiu por uma semana e ficou de cama
Médicos chegavam, receitavam, saiam
Mas a testa era quente e as mãos ardiam

Um padre sarcástico
Disse-me enfático:
- Sua amante foi-se... E fez um sinal
Levei como insulto, expulsei-o do local
Mas veio outro, terno e bondoso e ao falar dela, um pequeno conforto

Consultaram-me sobre o enterro, as coisas relacionadas
Caixão, roupas, música, cerimônia e unção
- Ah, meu Deus, perdão!
Então, ela foi enterrada
Nunca esquecerei o ruído das marteladas

Caminhei pelas ruas
Depois voltei para casa
No dia seguinte, em desatino
Parti em viagem
Paris seria o destino.



Poema baseado no conto: "A Morta":
Guy de Maupassant (1850-1893)

Assista no Youtube: Retinas Queimadas - Minha morta

quarta-feira, junho 10, 2009

Clown, o palhaço - Retinas Queimadas






O senhor do riso
Perdeu sua graça
Desesperadamente
Caiu em desgraça.

Ninguém mais ri
Das suas gafes
Palhaçadas sem graça
Acabaram às traças.

Astro circense
De repente...
Num passado recente
Atração decadente.


Clown, Clown, o palhaço!

Não há mais riso
Futuro impreciso
Não há mais circo
Não há mais público.

Seu show acabou
Nunca mais, aplausos ouviu
Pusilânime, se entregou
Quando seu mundo ruiu.
Clown, Clown, o palhaço!


O poeta narra o fato
Jamais lhe anuiu
A perda do estrelato
Da fama que se extinguiu.


Clown, Clown, o palhaço!
Lou, Lou... O sem graça!





ASSISTA NO YOUTUBE 
A VERSÃO LEGENDADA: Clown, o palhaço

quinta-feira, junho 04, 2009

Mosca na boca - Retinas Queimadas







Venha baby
Corte meu bolo
Com a sua faca
Sempre é melhor chorar na rua
Do que no desabrigo do lar
Oh, coitada, era uma madame
Renome
Ah, seu anel me fez pensar...
O dinheiro me traz sobrenome, venturas, fama
E com você quero vivê-las sem drama

Chame o moribundo
É meu aniversário, envelheço
Bem se vê
Entristeço
Não somos desse mundo
Por causa de você
Querida
Quantas safadezas
Deixei de fazer
Diante da mesa
Uma mosca rodeia
Rodeia e pousa...
Pousa em sua boca.


Venha baby
Corte meu bolo
Com a sua faca...
Com a mosca na boca
O que você diz nunca faz sentido
Que importa?
Quando o telefone toca
A ameaça vem do outro lado
Sem face, sem dó, instigado
Fuja, não há chance!
Enfrentá-lo não está ao alcance
Alcance do perdão
Não olhe para trás, oração...
Estenda as mãos e se entregue
Estava traçado, jaz então
A terra nunca será leve
Experiência fatal
Muito em breve, não sabia
Encontrar-se-ia com o sobrenatural.



*Baseado em:
"Let Me Put My Love into You", AC/DC (1980).
*Baseado no livro de contos: "O Espelho Mágico" de Mário Quintana e no filme "Black Sabbath" (1963), com Boris Karloff e Michèle Mercier.
Direção: Mario Bava.

Assista no Youtube: 
Retinas Queimadas - Mosca na boca

quarta-feira, junho 03, 2009

Justine, minha reflexão - Retinas Queimadas





Nossa casa é a casa da dor
Sempre que penso em sua morte miserável
O mundo perdeu o seu calor
Essa tristeza me tornou deplorável.



Meu sorriso foi extinto
Antes, os males que eu lia
Eram coisas imagináveis
Estórias de vício e injustiças...



Agora, porém,
Todos me parecem monstros sedentos
A caça do sangue de semelhantes
Todos acreditam que ela é culpada.



O crime que cometeste,
A tornava o ser mais depravado.
Matar por jóias, matar por desejo?
Oh Justine, minha reflexão...



Mas eu sei que é inocente,
Eu sinto isso!
Matar por jóias, matar por desejo?
Oh Justine, minha reflexão...


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