Mostrando postagens com marcador Bertold Brecht. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bertold Brecht. Mostrar todas as postagens

sábado, fevereiro 04, 2012

Assim falava o caçador


A todo momento só pensei nas gerações que virão...
... Depois
E, a língua não é um corpo morto
A profanação do corpo da língua e sua desfiguração...


... Não pode ser vista como um atentado à vida
Nem a cultura social abomina as gírias nessas plagas
Será que estou apto a combater toda e qualquer forma de barbárie cultural?
Homem especialista, abandonado pelas ninfas na floresta do saber?


Diante da árvore da vida, optei pelo fruto da árvore do conhecimento
Elas são distintas e continuam em minha frente
Volto, então, para mim mesmo
E o que vejo?


... Byron, Nietzsche e Brecht
Ainda tenho sede, devo alimentar a essência, como...
Alguém que tenha pensado e criado no mesmo idioma que o meu
Em minha cabeça ressoa:


Onde estarão agora...
Drummond, Quintana, Pessoa?
Devo agir, preciso viver e respirar o novo século
Navegar e buscar as pegadas que me levarão à presa!


E, de tanto estudar, compreendi que as pegadas que segui
Eram dele, o filósofo máximo, eram de Nietzsche
O prazo se extinguiu diante dos meus olhos
Vem o tempo e seus ponteiros e calendários
Rumarei ainda hoje para bibliotecas desconhecidas
Partindo sem dizer adeus aos ordinários.

 
 
*Homenagem aos mestres que me ensinaram a ler e escrever.

segunda-feira, março 15, 2010

Contentamento




Ao acordar, na cabeceira, o encontro
Com o velho novo livro ainda aberto
Marcando o caminho percorrido
Desde a noite anterior dormindo comigo


Abro a janela, o sol penetra em meu olhar
Traz-me o entusiasmo juvenil que preciso e peço
Dos sonhos e do pijama me despeço
Moroso, desço ao terraço


Lá embaixo, o jornal e o cachorro em seu laço
E, com ele atinjo a verdade que o jornal me faz esquecer
Vou ao banho me aquecer e escolho uma canção a dedo
Percebo um conforto pago, é a sensação da água morna irrompendo meus medos


Enfim, calço os sapatos e vou ao trabalho...
Lecionar, viajar, fazer amigos e cantar, o que se há de fazer?
Escrever, plantar, publicar e colher provisões
Diletante, dedico-me ao magistério das reflexões, das esperanças
E, aos idealistas e sonhadores famintos
Transmitir o saber, temperanças e emoções que só eu sinto.




*Baseado em: “Prazeres” 
de Bertold Brecht
(1898 - 1956).

terça-feira, junho 23, 2009

Concepção dos antigos


Nos livros antigos está escrito o que é sabedoria:


Manter-se afastado dos problemas do mundo.
Sem medo, perdurar o tempo profundo.
Abster-se do caráter imundo.
Atuar pela razão sem superstição.
Seguir seu caminho sem violência, com atenção.
Pagar o mal com benevolência.
Esquecer os desejos, enfim...
Regular os anseios com paciência sim.
Sabedoria é temperança.
Mas, pobre de mim!
Ajo em tentação, sem esperança.
Homem sem brios, na verdade, eu sei...
Que vivo aflito nesses tempos sombrios!




*Adaptado do poema: “Aos que vão nascer” 
de Bertold Brecht
(10/02/1898 - 14/08/1956).