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sábado, setembro 25, 2010

Entrevista com Richard Ashcroft



Por: Núbia Poison


Olá, boa noite Mr. Ashcroft
Boa noite minha cara, podemos ser rápidos?
Claro, vamos lá, Sir:
A imprensa britânica passou a chamá-lo de “Mad Richard” há uma década...
Como você lida com as informações a respeito de sua vida e do seu trabalho?
Não lido e nem ligo, deixo acontecer




Como foi a parceria inusitada com Jagger e Richards?
Bem, a letra de “Bitter Sweet Symphony” é um relato sobre meu passado junky
Ela foi colocada sobre um sample de “The Last Time” dos Stones...
... E, o sucesso da canção nos 90’s despertou a cobiça do Allen Klein mais uma vez
Então, tivemos que dar co-autoria aos caras


Só que todos os royalties foram para o Klein, correto?
Exato, aquele cara é a personificação do mal capitalista
Todos que usaram seus serviços foram de alguma forma, usurpados
E ele comprou as canções dos Rolling Stones por uma bagatela!
Isso só comprova que a vida é realmente uma ‘sinfonia doce-amarga’
Nascemos e morremos escravos do dinheiro


Você ainda acredita nas pessoas?
Muito pouco
Tenho dois bons amigos: Liam e Noel Gallagher
Foram eles quem me tiraram...
... Me desviaram da estrada onde todas as veias se encontram
Devo minha recuperação pessoal e artística a esses beberrões




Como você se descreve para os fãs e para os críticos?
Sou um milhão de pessoas diferentes
E sei que posso mudar quando quiser, sempre posso
Sempre posso tentar algo novo e recomeçar...
Só não mudo minha moldura, Mrs. Poison
Depois que purifiquei minha mente, sinto-me livre para trilhar caminhos que ainda não percorri




O The Verve vai voltar?
Ah, sobre o Verve...
... Posso dizer-lhe que estamos hibernados!
Mas, o caminho aéreo está livre
Não há ninguém cantando, tocando, compondo e nem gravando material agora


Muito obrigado pelas palavras Mr. Ashcroft
Foi sensacional tê-lo presente!
Obrigado, minha jovem, sabia que eu adoro as brasileiras
Elas são... São muito generosas!




*Entrevista concedida a Núbia Poison no Pub Camel em Londres em dezembro de 2008.

*Richard Ashcroft, nascido na Inglaterra, foi vocalista e compositor da banda britpop The Verve.

*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.

*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


domingo, julho 18, 2010

Carta de despedida a Cecília Cimarosa


Março, 20/1596, Trento

Cara Cecília, espero que saibas ler, pois nunca mais vais me ver.


Um perfeito cavalheiro nasce com estirpe honrosa
Interpreta Giordano Bruno, põe-se a prova
Tem aulas de dança e esgrima, ascensão gloriosa
Frequenta salões da alta sociedade
Discute com críticos e filosofa
Exprime sagacidade em verso e prosa




Querida Cecília somos díspares, somos únicos, heterogêneos socialmente
Não lamente, fostes gerada por moribundos
O que nos ocorreu deixou-nos imundos
Peça perdão, auxilie os católicos e busque um convento
Vou para a Trácia, combater inimigos no pior dos mundos
Ajude os necessitados, cure os desvalidos da Província de Trento




Esqueça-me, me negligencie, mude de idéia
Nossa vontade não é individual, eu lamento meu amor
Essa força da paixão entorpeceu-nos, trouxe-me crônica cefaléia
Sou um nobre, és plebéia e estivemos envolvidos numa efêmera sensação de libido e fervor
Não houve nada lógico em nenhuma ocasião, faço questão de ressaltar
Pecadores somos e seremos mais profanos ainda se cultivarmos mútuo rancor
Se levássemos nosso plano a risca, meu comando, minha família e amigos opor-se-iam




Como hipócrita, sem pudor, tentei enganar os meus queridos pais
Dizendo-lhes mentiras, escondendo-lhes nossos sinais
Adeus, Cecília Cimarosa
Quando ler essa missiva, não adianta correr
Não se culpe nem a mim, não pude escolher
Estarei de partida e já fui para o cais desde o amanhecer.




*Carta escrita por Dino Melchiade a Cecília Cimarosa, em 1596 durante um período de grande censura do Vaticano sobre os cientistas da época.

*Homenagem a Giordano Bruno morto pela Igreja em 1600, seguido do julgamento de Galileo Galilei em 1616. Esses fatos geraram um abismo de desconfiança entre os estudos científicos e astronômicos e a religião católica.

*Missiva encontrada e traduzida por Núbia Poison, repórter das Publicações Retinas News em trabalhos arqueológicos no norte da Itália.

*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

sábado, maio 08, 2010

Entrevista com Lou James





Eu, a repórter Núbia Poison, inicio essa entrevista lhe indagando:
O que te impele?
De onde vem teu ímpeto?
Da vontade!
E, de onde vem esse desejo intenso de querer?
Da representação que habita em mim!


Depois de emplacar hits como:
“Minha namorada é uma webcam” e “Quase erro”
Escrever poemas existencialistas e góticos, contos policiais e ser adepto do minimalismo...
... Como você se define?
Há um tempo, parecia que criar os Retinas Queimadas seria uma coisa boa
Sempre pensei em ser escritor, nunca músico
Muito menos vocalista de uma banda punk underground virtual com enorme influência gótica
Sou lúdico, me defino assim
Se houvesse um meio de dar sabor a visão e a audição...
Tento dar um jeito de enxergar e ouvir as coisas de uma maneira não-amarga
E levemente, tentar adoçá-las


E como você criou seu estilo literário?
Bem, vivemos numa época de releituras e adaptações
E, naturalmente precisamos absorver o que já foi produzido
Há muita coisa boa para ser usufruída
Penso ser, esse, o momento de mostrar às gerações toda a expressão artística, visual e musical com a qual interagi e está disponível nas bibliotecas, na internet e nas prateleiras das bibliotecas e Sebos


Um poema meu não é um fim-em-si
Ele não se encerra depois de lido
Ele é um canal, uma passagem que transporta o leitor a outro texto
... Outro poema, outra canção
Minhas obras direcionam-no a matriz da inspiração, à fonte
Deste modo, penso ter criado uma espécie de chave ou código que permite abrir as portas da percepção do leitor, do ouvinte
E mais...
Aguçar a sua curiosidade e seduzi-lo na busca do conhecimento pleno


Quais são suas influências?
São tantas e temo não conseguir me lembrar de todas agora
A literatura gótica e existencialista, o rock gótico, o punk, a MPB dos 70’s e 80’s; os filmes B de terror, os filmes de terror clássicos e muitos escritores brasileiros...
Cite alguns para ilustrar a entrevista Lou...
Hum, na literatura posso citar:
Fernando Sabino, João Ubaldo Ribeiro, João do Rio, Lima Barreto, Clarice Lispector, Orígenes Lessa, Fausto Wolff...
Poderia ficar aqui citando autores que li e leio por longos minutos


Há muita fragmentação da arte como forma de expansão do conhecimento?
Óbvio que sim, e isso começa na escola, na mais tenra idade
Descartes fragmentou o conhecimento tal qual o conhecemos ainda hoje
E essa corrente teórica, de certo modo, prevalece nas passagens de tempo, chegam aos dias atuais e se estendem pelas artes, ciências e música
O conhecimento está fatiado nas mais diversas filosofias e instâncias, nas mais diversas correntes e em seguidores e detratores, admiradores e críticos
Isso funcionou bem em determinadas épocas e formamos especialistas cada vez mais dominadores dum único tema
Mas há pontos em que o cartesianismo está sendo revisto e um novo paradigma sendo elaborado por essa geração
Defendo a busca do conhecimento pleno, na amplitude máxima do saber...
Estimulo a visão holística dos seres sobre as coisas, sobre os fatores mensuráveis e imensuráveis


O que você considera “impraticável”?
Queimar livros!
Acho que nunca conseguiria praticar esse ato
Qualquer livro, desconhecido ou clássico, todos possuem alma
Possuem uma força, algo de sobrenatural
Queimar livros é como destruir vidas!


Interessante esse ponto de vista, Lou James
Para terminar, deixe um recado para os fãs...
Ah, tento ser criativo e não vivi as coisas que
escrevo
Também tenho medo e sou corajoso ao mesmo tempo
Escondo-me atrás da máscara e...
... Agradeço a todos que me lêem
Tento dar a minha visão aos fatos, as histórias e estórias
Eu fui educado com a Bíblia.





*Entrevista concedida a Núbia Poison no
 Bistrô Del Monte em Franca SP.
*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos
Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.
*Qualquer semelhança com a coincidência é mera realidade.

quarta-feira, maio 05, 2010

Entrevista com Clarice Lispector


por: Núbia Poison


Nossa, meu momento máximo!
Vim entrevistar-lhe, e gostaria de lhe dizer...
... Não sou uma entrevistadora diante do entrevistado
Sou uma fã em contato com seu ídolo


Grrata, muito grrata minha jovem
Podemos começarr...
So... Vamos lá!
... Sua presença me inibe Dona Clarice


Ficaria lhe olhando por horas
Admirando, apreciando-a...
Minha jovem, então não perrgunte nada
Vamos aos fatos pela panorrâmica


Sou uma trrabalhadorra óculo-manual
E considerro um livrro prronto como um livrro encerrrado
Também não gosto do que escrrevo
Porr isso, não faço rrevisões e não rreleio minhas publicações


A senhora se considera uma escritora profissional?
Não, não me considerro... Porrque, só escrrevo o que querro
... E quando eu querro
No dia-a-dia, minhas ações ultrrapassam qualquerr palavrra


Pergunta inevitável: Acreditas em Deus?
Assim como a hóstia não tem gosto e é parrte de um rritual
E sei que sou feita a imagem e semelhança Dele...
Bem, se sou semelhante, também sou crriadorra
Foi Ele quem me mandou inventarr
E depois que captei o “espírrito da coisa”
Me torrnei escrritorra
Sou “Crristã laica apostólica” e Deus é de quem consegue aceitá-lo, senti-lo
Essa aceitação tornou-se forrça maiorr em minha vida!


Conte-nos um pouco sobre a Clarice como mulher...
Nunca me esqueci das pessoas com quem dorrmi
Mas, vivo exclusivamente o prresente
Como mulherr, sou rreduzida em mim mesma
E o espanto me impele
Também vou ao merrcado e cuido das rroupas
Adorro cozinharr parra alguns amigos e rrecebê-los de vez em quando


Na sua trajetória de vida, existe algo que gostaria de ter feito...
... E não fez?
Gostarria de terr mentido nos momentos cerrtos
Porrém, escrrevendo, eu não minto nunca


Como é escrever um livro, um conto?
Em que se baseia?
Esse ato é como serrrar uma barrra de ferrro!
Voam faíscas que não me ferrem


Mas, da medo ao começar?
Histórrias muito simples me causam aflição
É muito difícil elaborrarr uma histórria simples
Meus livrros, mesmos os insípidos, trrazem-me um rritual
O rritual do abandono do conforrto


Muito obrigada pela atenção e pelas palavras
Reitero o quanto a admiro, li tudo o que escreveu
Qual texto meu você mais aprrecia, minha jovem?
“O ovo e a galinha” é extremamente hermético traz-me questionamentos inverossímeis e...
“A paixão segundo G.H.”, trouxe-o para a senhora autografá-lo!


Hum, realmente “O ovo e a galinha” trrilhou por um caminho obscurro...
Dê-me aqui o livrro, farrei uma dedicatórria a jovem rrepórterr Núbia Poison...
Muito grata!
Ah, inefável minha escritora, inefável
Deixe uma mensagem aos leitores, para terminar
Cerrto...
Semprre fico atenta aos astrros e
... Obserrvando o univerrso, perrcebo que viverr não é coisa lógica!
Uma flauta doce é coisa lógica!


*Homenagem a Clarice Lispector: 1920 - 1977
*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.
*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

quarta-feira, março 10, 2010

Entrevista poética com Adoniran Barbosa (Da maloca vinha o samba)




“Sou um cara triste, faço piada, mas é só por fora.”
(Adoniran Barbosa)





Dá licença de contar...
O mais ‘punk’ dos sambistas, um fumante inveterado
Sou a repórter Núbia Poison e esse é meu entrevistado
Sem data de nascimento definida, mas com destino bem traçado
Falo de Adoniran Barbosa e eram dois maços por dia
“Nunca comprados, sempre filados”, como ele insistia


Na Cidade Ademar, com Mathilde e seus cachorros
Construiu sua parada, teto baixo, varanda e quintal
Em ‘Jaçanã’, não havia morada, só direito autoral
Sempre irônico, explicou-me a ‘questã’:
Desse bairro me veio a rima com ‘manhã’


Não é fácil escrever errado as letras de meus sambas
Isso tem que parecer real, convencer o intérprete e o ouvinte
Preste atenção menina, ouça o seguinte:
Se não sabes concatenar e nem o público convencer
Só aplauda, pois a eles não terás nada a dizer


Também conto causos e aqui vai mais um
Igual a esse, nunca ouvi nenhum
Pedi um taxi e pelo trajeto ouvia no rádio, bem naquela estação
Os ‘Demônios da Garoa’ interpretando minha canção
E na frente, um motorista confuso com minha informação...


Ao invés do estúdio, anunciou-me manobrando:
Chegamos ao Hotel Eldorado!
E foi logo estacionando
Desci do carro, sem bagagem e desolado
Chamei então, o porteiro num verso sagaz
Meu rapaz, hoje minha mala será aquela enorme lata de lixo, olhe para a sarjeta
E sorrindo-me absteve-se da gorjeta.


*Entrevista concedida a repórter Núbia Poison no Hotel San Juan na Rua Aurora em São Paulo.
*Adoniran Barbosa: Sambista que nasceu em Valinhos, interior de São Paulo em data imprecisa e faleceu em São Paulo, Capital em 23 de novembro de 1982.
*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.

*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

*Fonte: Mugnaini Jr, Ayrton: "Adoniran – Dá licença de contar..." Editora 34, 2002.

sexta-feira, março 05, 2010

Entrevista com Ozzy Osbourne

A origem do nome, hummm...
Boa pergunta, Mrs. Poison
Black Sabbath, com Boris Karloff
O ‘Cinema de terror’ trouxe o nosso nome

Você assistiu ao filme, Mr. Osbourne?
Sim, havia um cinema em frente a um apartamento de cômodos negros...
... Na época, do nosso guitarrista, e, de lá vimos o cartaz
Acho que era uma noite de sexta-feira 13 bem chuvosa
Imagino a cena, Mr. Osbourne, surreal...
É Mrs. Poison, surreal é a palavra
...Lembro-me quando
O Iommi disse-nos:
O que acham de colocarmos influências de terror literário e cinematográfico nas canções?

Criar um conceito...
... Era fundamental na proposta de vocês, certo Mr. Osbourne?
Exato, começamos a escrever ‘músicas de terror’
E, desde então, li a Bíblia Sagrada algumas vezes e
Cantamos sobre a Morte, o Terror e o Fim do Mundo

A Bíblia Sagrada, Mr. Osbourne?
Há muita filosofia nas Escrituras, Mrs. Poison
Aprecio Deuteronômio no Velho, assim como Eclesiastes
Além de Apocalipse, é claro
Aquelas metáforas sobre O Fim são sensacionais, concorda?

Concordo, mas não as li, Mr. Osbourne
As suas canções! Ouvi; ouvi muito o primeiro álbum e, Paranoid...
Iron Man, é o toque do meu celular, Mr. Osbourne, pode acreditar
Grato, Mrs. Poison, grato
Diga-me Sr. Ozzy, como foi gravar o primeiro álbum?
Ha, Ha, Ha, essa é uma história engraçada, hhããã
Quando levei nosso primeiro disco para casa
Meu pai estupefato, olhando-me perguntou:
Ozzy, tem certeza que só bebe cerveja?
Foi, no mínimo, desconcertante tentar explicar
Na verdade, não havia explicação, não é Sr. Ozzy?
É, vamos mudar de assunto

E o seu conceito sobre o Heavy Metal?
Detesto a conotação, Mrs.
Significa “chumbo do grosso”, onde está a música?
Tudo é Rock ‘n Roll, basicamente Rock ‘n Roll
Uns tocam acelerado, outros mais devagar... Alguns tocam mais alto
Outros até abaixo do normal
Mas, basicamente, tudo isso é Rock ‘n Roll
O que nos importa?
Transformar nossos fãs em fieis seguidores
Essa é a hora da metamorfose
Pois, transforma-se a essência
E isso, confunde as aparências

Sincero, Mr. Osbourne, sincero...
Conte-nos sobre os shows, como eram?
Ah, as coisas mais esquisitas acontecem num show de rock
E nós, aprontávamos tanto
Bem, a verdade das coisas só aparece pelas pequenas frestas
Qual era mesmo, a pergunta?

Conte-nos sobre a lenda... Sr. Ozzy
Qual Mrs. Poison, a de ter comido o morcego?
Exatamente, Sir.
Qualquer coisa que lhe disser não me servirá de nada
Carregarei o estigma por toda minha vida
Mas, quem sabe, se... Realmente não acabei comendo um
Na verdade, queríamos dar
Uma sobrecarga exagerada nos sentidos
Penso ser essa
A melhor definição
Para o som que
O Sabbath fazia nos 70’s

Se gosto do Kiss?
Sempre acompanhei o trabalho deles de alguma forma
A pintura nos rostos, os bonecos articulados
Eles invadiram os lares americanos por meio das crianças
Nisso, eles foram muitos bons!
Fomos uma reação a calmaria dos hippies; eles lá, nós aqui
O mundo admite, Mr. Osbourne, vocês chegaram com tudo!
Isso, a gente chegou com tudo, Mrs. Poison
Tinha muita encenação ou vocês eram realmente aterrorizantes?
Isso foi o Rock Teatro, idéia do Alice Cooper
Aquilo sim era “Show de horrores”
Éramos bandas de Rock ‘n Roll e, éramos cheios de idéias

Ok, Mrs. Poison?!
Finalizaremos agora, preciso ir alimentar meus cães
Grato, Mr. Osbourne adorei sua generosidade, sua recepção
Na verdade, vou correr no vazio, adeus garota
...antes que eu tenha que lhe explicar
Sobre o Polca Tulk Blues.



*Entrevista concedida a Núbia Poison no S e M Cafe em Londres.

*John Michael Osbourne, conhecido como Ozzy Osbourne: Birmingham, Inglaterra, 03/12/1948 foi vocalista do Black Sabbath.

*Boris Karloff em 1964 apresentou "Black Sabbath", dirigido pelo cineasta italiano especialista em horror: Mario Bava.

*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.

*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Entrevista com Pete Townshend





Boa tarde, Mr. Townshend
Olá, Mrs. Poison, aceita água com gás?
Não obrigada, vamos começar...


A guitarra elétrica definiu o Rock ‘n Roll?
Hum, claro que sim!
Deu-lhe identidade, ambição
Transformou-o num som peculiar, diferente
Próxima indagação...


O que a guitarra significa para você?
Pode-se considerá-la o símbolo de sua geração?
Uma de cada vez, Mrs.
Acho que, para entender porque ela é o símbolo das gerações 60’s e 70’s
E o que ela significa para mim, você precisa pegar uma
...segurá-la nas mãos
Conectá-la a um Marshall
Toque um, dois acordes e terá a resposta para essas perguntas


Você já teve muitas mulheres, já amou alguma verdadeiramente?
Nada é mais sexy do que uma guitarra, garota!
E seu cheiro... ah, inebriante!
Durmo quando tenho uma nos braços
A guitarra é a extensão de minhas paixões
Aquelas seis cordas.... as seis cordas são uma arma
Faço tudo com elas e as uso de várias maneiras
Três acordes no lugar certo é como preparar um prato e
Tocar para mim é como contar histórias com uma moral ao final
Comunico com o mundo e dou-lhe meus sentimentos mais profundos


Adorei, Mr. Townshend, pensava que fosse frio e monossilábico!
Quem foram os seus ídolos?
Não tive ídolos, tive amigos e estão todos mortos agora!
Janis Joplin, Brian Jones, Keith Moon e Jimi Hendrix
Eles foram e são ídolos de várias gerações
Para mim, eram amigos, grandes amigos


Como seria o rock sem esses caras?
...ah, não seria!
E sem a guitarra elétrica?
Não haveria identidade, não haveria..., sem chance Mrs. Poison
Para terminar, deixe uma declaração para os novos guitarristas...
Ok, muitos guitarristas tocam parecidos
Porque beberam na mesma fonte, possuem as mesmas influências
Jovens! Quando tocarem, entrem na nota e deixem sua digital nela
O som vem de dentro e a guitarra é o amplificador dos seus sentimentos, das suas emoções, das suas indignações


E não se esqueçam:
Nunca toquem minha guitarra e nem apontem o dedo para ela
E vê-la, eles podem Mr. Townshend?
Acho que já viram o bastante
Sou muito ciumento!
Adeus


Levantou-se e saiu da sala, cantarolando Johnny B Goode...
Pediu um taxi e foi direto para o ‘The Montcalm Hotel’, descansar.



*Entrevista concedida a Núbia Poison em algum dia de inverno na quase glacial, Londres.
*Pete Townshend: Peter Dennis Blandford Townshend (Londres 19 de maio de 1945) é guitarrista da banda The Who.

*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.
*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Entrevista com Iggy Pop



Hum...
Vou me esquecer de muitas coisas
Mas, vale o que me veio antes
... Prosperidade?
Tive prosperidade, mas não acho necessária usufruí-la

Se sou músico?
Rsrs, claro que sim... (sol-la-si-dó)
Sou operador de liquidificadores, também toco aspirador de pó
E no final, sempre derrubo um amplificador
O público? Eu não sei... êxtase e fúria, sou eu o espectador

Melhor é unir conexões
Numa espécie de redundância eterna
Aprendi muito com alguns caras... Johnny Cash
Muddy Walters e John Lee Hooker são meus ins-piradores
Em Detroit nos 60’s, ouvia blues e muito som de motores

Prá terminar, fique sabendo
Só tropeço em coisas grandes
E sempre haverá alguém, algum garoto
Num quarto, num estúdio, numa garagem
Fazendo coisas que ainda não ouvi

Entrará na engrenagem, venderá milhões à juventude?
Talvez, com um pouco de sorte e muita atitude!
Ganhará platina num auditório, alcançará o 
mainstream

A indústria procura todos os dias...
Um novo Elvis, um outro James Dean.






*Essa entrevista foi concedida a repórter Núbia Poison numa noite de devaneios e muito blues
*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Case comigo, Núbia Poison!






Do globo da morte
A contemplo
Ela vai à faculdade
Gosta de flores
Ora no templo

Ouve músicas,
Ama “The Cramps”
Enquanto os palhaços
Jogam cartas
O trailer treme, antes

Quando bato
Surge a fera
Me ataca!
Vejo o mal, mutação
Bala de prata?

És meu patrão!
"Apenas solitário"
Um palhaço me relata
Consternação
Núbia, em meio à narcisos

São suas preferidas
Pelo olho de vidro
Morrerias do coração
Mrs. Faith tinha-me mostrado

Nesse ínterim, absorto em meu acordeão
E, pelo esforço, a resposta
Veio a constatação
Nunca me casarei com você
As alianças...
... Devolvo-lhe, pois não

Doze doses tive que tomar
Para bonita
Poder lhe achar
Admita
Esse excesso de vermute
Foi fatal, falta-me saúde

Mas hoje, depois de ontem
Tenho muita sede
Não consigo contar direito
Minhas histórias
Saio pela tangente,
Esqueço as glórias


A convocação chegou
Foram dois anos de disciplina
Longe dela, me esfacelei
Ao Haiti eu fui, oh minha menina
Tornei-me pára-quedista
Saltar do firmamento virou rotina


Naquela tarde
Peguei três trens para provar-te
Trouxe-lhe a notícia
Escrevi teu nome no céu
Seu nome é Núbia Poison
Te levo ao altar, abro teu véu


Fui criado num pequeno lago
E agora, estamos no oceano
Poseidon, deus dos mares
Me afoga e não percebo
Eu tenho um só plano
Preciso de emprego


Trabalho de graça,
Pode acreditar
Todo mês, fim do ciclo
Te sussurro um detalhe
É minha proposta, suplico
E sobre ela justifico


Sou domador, homem bala
Limpo a ala dos elefantes
Mas, no encontro, sou galante
Lançador de facas,
Preciso
Levo flores, seus narcisos


Aí, não sei como
O tempo acelera e pára
Tudo se dispersa
Comunico aos amigos
Não há inércia
Minha vontade, obsessão

Qual é seu problema, garoto?
Me fazem a indagação
E assim,
A contar recomecei
Acabei de conhecer
A mulher com quem me casarei


Não faço idéia de quem tu és?
Sou um contador de histórias
Mentiras?
Romances?
Contos?
Devo acreditar em seus encantos?


Também sou músico
Faço canções e as canto
O artista é surreal
Não possui matéria
Só sedução
Você é a única que não compreende meu coração


Por ti, pelas suas negações
Sou um retrato mal acabado
De mim mesmo
De quem é o problema?
Barco à deriva, abalado
Vou a esmo, grand’ ilema


Limparei tua piscina
Veja e constate
Arrumarei teu jardim
Nada é invenção
Serás minha mulher
Quero-te agora, confirme a ação!


Qual o problema dos icebergs?
Os noventa por cento abaixo?
Ou os dez por cento acima?
Una-se a mim, já!
Montemos uma banda
A vida nos ensinará


Dos acordes necessários
Fiz uma canção de saudade
Som de reencontro...
De minha guerra
Para a cidade
É breve, mas com intensidade:

“Em meio aos lençóis
Eu voltei
Estendidos no varal
Lhe beijei”


Quer me mostrar
Que livros está lendo?
Há uma segunda vida?
Uma personagem, outra família?
Um filho bastardo
Fora do casamento?


Indago, interrogo
Lamento
Passava muito tempo
Fora de casa
Mesmo assim, prefiro acreditar
Em você, e não em mim


Não é verdade!
Qual a autenticidade?
Os carros do comercial, calamidade?
Moscas presas no pára-brisas?
As siamesas asiáticas?
Geram desconfiança...

Exotismo que altera minha esperança
Meu Deus, como fui criança
Abelhas na colméia
Voam e deslizam
Apague a luz
Sairemos vencedores
Vamos pelo amor
Que conduz as nossas dores.





*Homenagem a Núbia Poison, roadie, backing vocal e fã dos Retinas Queimadas
*Texto adaptado ao filme: "Big Fish" (2004), direção: Tim Burton.