quarta-feira, junho 03, 2009

Quase erro (ode a Mary Shelley) - Retinas Queimadas



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Aquela menina nasceu
Filha de Golding se concebeu
Sua mãe do parto floresceu
E com Shelley se irrompeu.


O pai, resignado foi-se então
O padrasto o sobrenome deu-a senão
Sua mãe a iniciou na escrita
E na juventude se fez mulher aflita.


No castelo de Byron as férias passou
E, num lampejo a estória criou
Um terror fantástico
Que pelo mundo se consumou.


A obra, ao pai dedicou
Mas o sobrenome do padrasto herdou
Escrevia desde a infância, a ficção
Viveu no campo com forte obsessão.


Criar um conto, criar uma estória
Num quase erro, numa memória
Lembrou de fantasmas, lembrou do inicio
E na voraz escrita, uma obra no solstício.


A noite era sombria, lúgubre, mortal
Do sonho acordado, uma febre fatal
Desejou a criação feita com afeição
Que lhes tragam dor, dor e perdição.


O monstro sem nome
Herdou o seu do criador
Nesse quase erro
Todo mundo é entendedor.


Mary Shelley, saia do castelo
Mary Shelley, volte para casa
Nem Hamlet, nem Otelo
Fazem sombra à tuas asas.


O monstro sem nome
Herdou o seu do criador
Nesse quase erro
Todo mundo é entendedor.
Mary Shelley, saia do castelo
Mary Shelley, volte para casa
Nem Hamlet, nem Otelo
Fazem sombra à tuas asas.

"Ela plantara as sementes que tinha nas mãos. Não outras, só essas" 
(Clarice Lispector)

*Homenagem a Mary Shelley, escritora do romance gótico 
"Frankenstein" (1831).

Acesse RETINAS QUEIMADAS em: Canal no Youtube

Um comentário:

  1. Essa foi uma dedicatória digna de um mestre. É como diz a letra: nem Hamlet, nem Otelo/ Fazem sombra à tuas asas.

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